O Brasil tem cura
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Para alcançar justiça social, há que se buscar não a igualdade social, mas a igualdade de direitos e de oportunidades, para que, como numa corrida pela vida, todos os cidadãos possam largar do mesmo ponto de partida, com condições de competitividade semelhantes.
“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”.
“A compaixão nem sempre é uma virtude. Quem salva o lobo condena à morte as ovelhas”.
“O experimento socialista falhou porque, quando o governo nivela os esforçados e os medíocres, elimina todas as recompensas e o senso de justiça”.
Como já vimos, a desonestidade cultural do brasileiro está na gênese do nosso povo, desde a colonização, quando a justiça era privilégio de poucos, e os nobres e poderosos tinham, na prática, a regalia de não precisar cumprir todas as exigências da lei. Com o passar do tempo, o princípio do privilégio acima dos iguais e da vantagem a despeito das leis propagou-se por toda a sociedade. O “jeitinho”, que encobria a transgressão dos ricos e poderosos, passou também a justificar a desonestidade do pobre, do ex-escravo, do ex-colono e do excluído.
Os políticos são a cara do povo, por mais que não gostemos de nos ver espelhados assim. Eles representam as classes dirigentes, os industriais, os banqueiros, os intelectuais, os operários, os agricultores, a juventude, os homens e as mulheres. Essa cara do povo, que inclui a mentira e a corrupção, não é a cara do outro, mas é a cara de nós mesmos, a cara de uma coletividade. Por isso, de certa maneira, a crítica aos políticos deveria servir para uma autoavaliação, o que normalmente não é feito.
É como se a pobreza legitimasse a corrupção; como se, para sobreviver às dificuldades, fosse lícito atropelar as leis e a ética. Dessa forma, surgiu a figura do “malandro”, o sujeito astuto, que não trabalha e vive de bicos, agiotagem, trambiques e delitos; que dribla as regras de convivência e dá as costas para as leis. O termo “malandro” passou a definir o revés do “otário”, sujeito tolo, ignorante, fracassado. Assim, o malandro entrou para o folclore nacional e ganhou a simpatia e a admiração da sociedade. Passou a representar o brasileiro típico, a ponto de ganhar representação máxima em 1928, no livro Macunaíma, o herói sem nenhum caráter, de Mário de Andrade. O protagonista encarnava a antítese do bom e do bem: era mentiroso, preguiçoso, transgressor e desonesto. No imaginário popular, tivemos, antes do mito do herói, um consagrado anti-herói nacional.
Votar com responsabilidade não é tarefa fácil. Dá trabalho ser um eleitor consciente: é preciso levantar o histórico político do candidato e ter a certeza de que seu passado e sua ficha são limpos. O eleitor deve conhecer a conduta do político e do partido que ele representa. Tem de saber quais bandeiras eles defendem: quais são seus valores, suas aptidões, seu currículo. E, por fim, questionar-se: esse candidato merece me representar? Nunca esqueça: tão importante como eleger um candidato é acompanhar sua atuação uma vez empossado, pois a missão do bom eleitor não termina com o fim da eleição.
A impunidade, que desdenha dos justos, humilha as vítimas e alimenta o crime, é o maior combustível da violência.
A falácia de que a pobreza induz o crime é preconceito de classe fantasiado de generosidade humanista. A “intelligentsia” acha que pobre é incapaz de fazer escolhas morais sem o concurso de sua mística redentora. Diminuiu a desigualdade nos últimos anos, e a criminalidade explodiu. O crescimento econômico do Nordeste foi superior ao do Brasil, e a violência assumiu dimensões estupefacientes.5
Parece uma luta inglória a do cidadão de bem contra os males que o cercam. O brasileiro comum olha em volta e sua percepção é que há mais trevas que luz. A desesperança bateu à porta. Assim mesmo, ele tenta fazer sua parte, inspirando outros por seus próprios exemplos, em atitudes que criam heróis solitários e anônimos. Mas até mesmo as boas ações lhe parecem vãs, pois a impressão é que acabam não influenciando a sociedade no quadro mais amplo.
A pobreza não é a mãe de todas as misérias. A gênese da violência no Brasil pode ser encontrada na indigência da alma, na pobreza de espírito, na penúria dos valores. A violência nasce quando se perde a noção de humanidade, quando se deixa de enxergar no outro um semelhante, quando se para de agir como ser humano.
“Vigie seus pensamentos, pois eles se tornam palavras. Vigie suas palavras, pois elas se tornam ações. Cuidado com suas ações, porque elas se tornam hábitos. Cuidado com seus hábitos, porque eles formam seu caráter. Vigie seu caráter, pois ele será o seu destino. O que pensamos, nos tornamos”.