"Ao descobrir-se a América, ou antes, ao colonizar-se ela, durante o século XVI, achavam-se no seu maior esplendor as duas nações do extremo ocidental da Europa, que nisso se empenhavam: assim as línguas e literatura, sempre em harmonia com a ascendência e decadência dos estados, como verdadeira decoração que são de seus edifícios, tocavam então o maior auge.
Com efeito, o castelhano e o português, que tiveram a sorte de passar primeiro que outras línguas do velho ao novo continente, subiam então pelas suas literaturas à categoria de línguas, graças ao impulso que lhes davam os respectivos centros governativos.
O português poliu-se sem degenerar quase nada de sua filiação galego-asturiana, nem corromper o valor das articulações latinas. O castelhano, procedente da mesma filiação, só chegou àquele resultado, depois de arabizar-se muito, de adotar o gutural árabe, e de alterar insensivelmente outras articulações latinas. O português de hoje é o mais legítimo representante do antigo castelhano e do domínio romano na Espanha; e o castelhano moderno serve a comprovar quanto o domínio de uma nação estrangeira pode fazer variar um idioma já bastante formado.(...)"
Com efeito, o castelhano e o português, que tiveram a sorte de passar primeiro que outras línguas do velho ao novo continente, subiam então pelas suas literaturas à categoria de línguas, graças ao impulso que lhes davam os respectivos centros governativos.
O português poliu-se sem degenerar quase nada de sua filiação galego-asturiana, nem corromper o valor das articulações latinas. O castelhano, procedente da mesma filiação, só chegou àquele resultado, depois de arabizar-se muito, de adotar o gutural árabe, e de alterar insensivelmente outras articulações latinas. O português de hoje é o mais legítimo representante do antigo castelhano e do domínio romano na Espanha; e o castelhano moderno serve a comprovar quanto o domínio de uma nação estrangeira pode fazer variar um idioma já bastante formado.(...)"