Este livro é um compêndio de amores possíveis. De personagens que, ainda que intuitivamente, estão cientes de que a vida é um jogo nonsense que ganha sentido graças a duas tábuas de salvação: amor e música.
Um bom conto é como uma fotografia. Ao falar de seu ofício, o francês Henri Cartier-Bresson explicou: ?fotografar é uma questão de colocar o olho, o coração e a mente na mesma linha de visão?. Não poderia encontrar melhor definição para o que faz Marcos Donizetti nas páginas deste livro. Suas narrativas breves são como fotos capazes de transcender as limitações de uma moldura ao captar os momentos mais significativos da vida no instante mais preciso.
Em tempos nos quais escritores acham que vanguarda é sinônimo de hermetismos bocejantemente intricados, empilhando seus textos com citações obscuras e pretensões equivalentes ao tamanho de seus egos, é um alento encontrar neste volume narrativas despretensiosas que fluem com a naturalidade de uma conversa de bar. Somos levados por Marcos Donizetti a cenários tão distintos quanto o banco de uma praça, as lápides de um cemitério ou uma casa de swing. Enquanto isso, nos perdemos e nos
reencontramos em suas palavras, imediatamente identificados com os dramas e alegrias de cada personagem.
Chamo a atenção ainda para o fato de que o autor deste livro pode ser descrito do mesmo modo que um dos personagens de Truffaut: um homem que ama as mulheres. E que, ao melhor estilo dos machos do século XXI, é sensível sem ser viadinho, sacana sem soar grosseiro, sutil ma non troppo. Pois Marcos Donizetti sabe que Bertrand Morane estava certíssimo ao afirmar que as pernas das mulheres são como compassos que percorrem o globo terrestre em todas as direções, dando-lhe harmonia e equilíbrio.
Resgatando a definição clássica de Julio Cortázar, que dizia que no combate travado entre um conto e seu leitor o escritor é obrigado a vencer por nocaute, posso dizer que Marcos Donizetti é um boxeur com pleno domínio de seu ofício, capaz de deixar na lona aqueles que o lêem com um vasto repertório de jabs, versos de músicas, cruzados de direita, metáforas pungentes, uppers no queixo, diálogos afiados e diretos de esquerda.
Bom nocaute a todos.
Alexandre Inagaki
Um bom conto é como uma fotografia. Ao falar de seu ofício, o francês Henri Cartier-Bresson explicou: ?fotografar é uma questão de colocar o olho, o coração e a mente na mesma linha de visão?. Não poderia encontrar melhor definição para o que faz Marcos Donizetti nas páginas deste livro. Suas narrativas breves são como fotos capazes de transcender as limitações de uma moldura ao captar os momentos mais significativos da vida no instante mais preciso.
Em tempos nos quais escritores acham que vanguarda é sinônimo de hermetismos bocejantemente intricados, empilhando seus textos com citações obscuras e pretensões equivalentes ao tamanho de seus egos, é um alento encontrar neste volume narrativas despretensiosas que fluem com a naturalidade de uma conversa de bar. Somos levados por Marcos Donizetti a cenários tão distintos quanto o banco de uma praça, as lápides de um cemitério ou uma casa de swing. Enquanto isso, nos perdemos e nos
reencontramos em suas palavras, imediatamente identificados com os dramas e alegrias de cada personagem.
Chamo a atenção ainda para o fato de que o autor deste livro pode ser descrito do mesmo modo que um dos personagens de Truffaut: um homem que ama as mulheres. E que, ao melhor estilo dos machos do século XXI, é sensível sem ser viadinho, sacana sem soar grosseiro, sutil ma non troppo. Pois Marcos Donizetti sabe que Bertrand Morane estava certíssimo ao afirmar que as pernas das mulheres são como compassos que percorrem o globo terrestre em todas as direções, dando-lhe harmonia e equilíbrio.
Resgatando a definição clássica de Julio Cortázar, que dizia que no combate travado entre um conto e seu leitor o escritor é obrigado a vencer por nocaute, posso dizer que Marcos Donizetti é um boxeur com pleno domínio de seu ofício, capaz de deixar na lona aqueles que o lêem com um vasto repertório de jabs, versos de músicas, cruzados de direita, metáforas pungentes, uppers no queixo, diálogos afiados e diretos de esquerda.
Bom nocaute a todos.
Alexandre Inagaki