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    O fim da guerra: a maconha e a criação de um novo sistema para lidar com as drogas

    Por Denis Russo Burgierman
    Existem 14 citações disponíveis para O fim da guerra: a maconha e a criação de um novo sistema para lidar com as drogas

    Sobre

    O planeta tem cerca de 210 milhões de usuários de drogas ilícitas - dos quais 165 milhões usam somente maconha. Nesta obra, o autor percorre o mundo para conhecer as políticas de combate à canábis. Conversa com médicos, pesquisadores, usuários, plantadores, voluntários, autoridades, doentes crônicos ou terminais. Burgierman apresenta o resultado de sua pesquisa num painel da situação na Holanda, Califórnia, Espanha, em Portugal e no Marrocos. O autor busca mostrar como os sistemas de combate podem sair da alçada policial e jurídica sem estimular a adesão de novos usuários.
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    Citações de O fim da guerra: a maconha e a criação de um novo sistema para lidar com as drogas

    Eles fazem o que querem porque, num sistema que proíbe tudo, ninguém regula nada.

    Enfim, recapitulando: nosso atual sistema incentiva violência, acentua desigualdades regionais, sociais e raciais, enriquece bandidos, extermina idealistas, coloca crianças no tráfico, tira dinheiro de universidades para construir prisões, custa imensamente caro, gera frustração e ressentimento, esgarça o tecido social, corrói direitos, treina criminosos, aumenta o uso de drogas e as torna mais potentes e perigosas.

    Nos últimos dez anos, desde que o novo modelo foi implantado, o consumo de drogas entre menores de idade caiu, o número de contaminações de aids e hepatite C despencou, o de usuários de drogas problemáticos diminuiu, o de dependentes de droga em tratamento cresceu, o índice de sucesso do tratamento aumentou, as cadeias e os tribunais estão mais vazios e conseguindo fazer seu trabalho com mais eficiência, a polícia está tendo mais sucesso no combate ao tráfico internacional, e a sociedade está economizando uma fortuna.

    E, verdade seja dita, nunca, em 29 anos como policial, fui chamado a uma ocorrência de violência doméstica envolvendo maconha.”

    Raymond Shafer, ex-governador republicano da Pensilvânia que chegou a sonhar em ser presidente, foi escolhido para chefiar a comissão, pesquisou a canábis, descobriu que seus males estavam sendo exagerados e sugeriu que o governo regulasse o mercado, para que ele não caísse nas mãos de criminosos.28 Nixon reagiu como um típico político: entrou em pânico. Jogou o relatório de Shafer no lixo e declarou a guerra contra as drogas, em 1971, uma década antes de Reagan,

    Segundo Mario, um dos motivos pelos quais a Holanda agiu diferente dos Estados Unidos e de outros países europeus foi o fato de ser uma nação muito mais homogênea, sem tantas misturas étnicas. Enquanto nos Estados Unidos negros e mexicanos fumavam maconha, na Inglaterra eram indianos e em boa parte da Europa eram árabes, na Holanda a flor da canábis era apreciada por jovens loirinhos, etnicamente idênticos aos filhos dos políticos. Com isso, ficou mais difícil demonizar a droga.

    Portanto, maconha não é uma droga, como a cocaína e a heroína; ela é um sistema de drogas – um sistema complexo. Cada um dos diferentes canabinoides tem um efeito diferente, e muitos contrabalançam ou suavizam o efeito de outros. Por exemplo, o canabidiol (CBD) é absolutamente careta. Seu efeito é reduzir a ansiedade, causar um bem-estar generalizado e ajudar a focar a mente. Ele não dá barato nenhum; na verdade, reduz o barato do THC. O CBD tem imenso potencial medicinal.

    As religiões monoteístas normalmente não gostam de plantas que dão uma sensação de transcendência, porque suas crenças se fundaram na noção de que o homem e a natureza são entidades separadas, com o homem num degrau superior, criado à imagem de Deus. Deus não pode estar na natureza.

    O sistema endocanabinoide entra em ação no cérebro de crianças quando elas estão brincando; já nosso cérebro de adulto fica o tempo todo olhando para o mundo, comparando-o com o passado e planejando o futuro. Quando a maconha atrapalha a memória e conecta a pessoa no presente, nos sentidos, ela torna adultos um pouquinho mais parecidos com crianças.

    Maconha é menos perigosa que Prozac, Ritalina, Zyprexa, Celexa e outros que tais, porque ela não altera permanentemente a química do cérebro. Talvez ela não seja tão eficiente, talvez seja. Nunca saberemos enquanto a pesquisa for proibida.

    Marcha da Maconha de Amsterdã é um fracasso recorrente: ninguém aparece. Isso tudo parece ter o efeito de matar a associação entre maconha e rebeldia, que atrai usuários jovens. Maconha, na Holanda, não é cool – é coisa de turista. Efetivamente, o número de usuários adolescentes é um dos mais baixos da Europa.

    Enquanto nos Estados Unidos negros e mexicanos fumavam maconha, na Inglaterra eram indianos e em boa parte da Europa eram árabes, na Holanda a flor da canábis era apreciada por jovens loirinhos, etnicamente idênticos aos filhos dos políticos. Com isso, ficou mais difícil demonizar a droga.

    Depois de passar por regiões produtoras de canábis no México, Califórnia, Holanda e Espanha, finalmente encontrei o vampiro – o matador de neurônios, o enlouquecedor de gente, o causador de crimes, o corruptor de menores, o inimigo da civilização, o mal que precisa ser extirpado do mundo segundo as convenções internacionais.  Olhando de onde estávamos – a beira de uma estradinha de terra, guiados por um menino tranquilo e sorridente cujo sonho mais ousado é um dia conhecer uma boa discoteca, cercados de burricos e de velhas corcundas carregando grandes trouxas cheias de trigo para fazer pão – parecia ser apenas uma planta.

    Quer ouvir uma história engraçada? Hoje, segundo as convenções da ONU, os índios dos Andes não podem mastigar a folha de coca, como seus ancestrais faziam. Entretanto, a Coca-Cola pode processar a planta, de maneira a retirar a cocaína, e depois empregá-la na receita de seu refrigerante. A ironia disso é que foram os índios andinos que descobriram as propriedades da folha de coca. Aí os cientistas, sem lhes pagar nada, isolaram a cocaína, levaram-na para o mundo desenvolvido, industrializaram-na e criaram uma indústria milionária. Criaram também uma droga potente que causa um monte de problemas e provocou a proibição da planta. Hoje a indústria continua a ter permissão para usar a coca, mas os índios não.

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