Três mulheres, dois homens, e um Livro grosso de muitas páginas. Trazem um violão. Banda ou coral, especulam os passantes. Abrem espaço de pequeno palco, atrás sobe alta parede de alvenaria. Um mendigo os viu no primeiro dia que estiveram ali, o dia em que ficou sem casa, ato de força da Justiça que executou mandado de despejo do apartamento onde morava com a mãe viúva de oitenta anos que foi para um lar de idosos. Sem trabalho e previdência, ele decidiu viver nas ruas. Por sorte achou um cantinho na Central do Brasil, tinha banheiro e restaurante popular. As esmolas foram generosas, o mendigo encerrou sua jornada para ver a banda ou coral, talvez outra coisa, chama atenção o tamanho do Livro que um deles carrega, talvez seja um grupo de vanguarda, exibição experimental, mostrar ao povo outro estado da arte. No pouco tempo de Central do Brasil, o mendigo aprendeu que as pessoas são delirantemente esquisitas, até a caridade mistura leis da economia. Ele descobriu que ajudar os que levam pacotes e malas, um simples cuidado, transforma a esmola em gorjeta que paga o favor. Sua condição vai melhorando. Pegou no lixo um isopor, agora oferece água gelada, a maioria retribui em dinheiro, pede a Deus que os abençoe. Os cinco começaram cantando hinos espirituais, devem ser missionários urbanos, lembrou de uma reportagem na televisão, foi como um carinho ouvir.
O Livro
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