Um rebanho de camaradas, pastoreados pela noite. Amigos do peito. Íntimos. Fraternos. Trabalham durante o dia feito bestas de carga, (pelo menos a maioria deles) mas suportam o fardo com estoicismo porque esperam ansiosamente pela noite que chega, a noite na bodega mágica, regada a álcool, a noite que os abraça e os traga para um mergulho de catarse e esquecimento. Trocam entre si confidencias de alegria e tristeza, jogam piadas no balcão, ouvem música vinda por trás de garrafas empoeiradas, sonham com a musa do botequim. Grupo tão coeso que formam uma espécie de confraria, ou congregação, ou igreja. Noite após noite fazem a mesma coisa, beatos do cachaçal. Até o dia em que um deles desaparece, misteriosamente, sem deixar vestígios. E um horripilante acontecimento faz com que a liga estremeça em suas raízes, e todos comecem a andar como ovelhas desgarradas, atrás do lobo invasor, atrás de soluções para tal parábola. Então a desconfiança é plantada entre os corréus, e brota cheia de espinhos perigosos bem no centro da confraria.
A Confraria das Iusões
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