Flanando pela cidade, tenho me deparado com vidas solitárias que, por alguma razão, me despertaram algum interesse. Incapaz de uma abordagem direta, decidi entregar encomendas de pequenos contos para esses estranhos contemporâneos: um ex-presidiário, um morador de rua, uma mulher com os filhos na fila do mercado, um ancião solitário do subúrbio, um ex-menino prodígio, um baleiro de porta de teatro, um copeiro numa casa de show, uma catadora de lixo alucinada, uma idosa urbana, um jovem de luto, uma família discutindo no meio da rua, um casal num restaurante, duas amigas em outro, uma moça-relâmpago. Em alguns casos, a encomenda foi para mim. Há uma exceção, fruto do meu delírio fabuloso.
A princípio houve, da parte deles, surpresa e desconfiança. Explicado o meu objetivo, entretanto, divertiam-se e sentiam-se lisonjeados em ser presenteados com literatura. São contos de fôlego curto, independentes entre si, e que não se conectam necessariamente com os fatos de suas vidas, senão por aqueles que ficaram, de alguma forma, explícitos para mim. Na realidade, são leituras a respeito do que captei de suas vidas íntimas, pistas reveladas por gestos sutis, suspiros, frases soltas, elementos que me instigam a imaginá-los, subvertê-los, quem sabe inspirá-los, propondo alteridades pela literatura.
A princípio houve, da parte deles, surpresa e desconfiança. Explicado o meu objetivo, entretanto, divertiam-se e sentiam-se lisonjeados em ser presenteados com literatura. São contos de fôlego curto, independentes entre si, e que não se conectam necessariamente com os fatos de suas vidas, senão por aqueles que ficaram, de alguma forma, explícitos para mim. Na realidade, são leituras a respeito do que captei de suas vidas íntimas, pistas reveladas por gestos sutis, suspiros, frases soltas, elementos que me instigam a imaginá-los, subvertê-los, quem sabe inspirá-los, propondo alteridades pela literatura.