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    Cruzadas

    Por Cécile Morrisson
    Existem 15 citações disponíveis para Cruzadas

    Sobre



    Guerra santa ou luta armada?

    As cruzadas, que tiveram início no século XI, nos fazem lembrar o quanto são antigos os conflitos entre o Oriente e o Ocidente.
    O que era primeiramente um enfrentamento entre cristãos e muçulmanos pelo controle da Terra Santa transformou-se em uma luta sangrenta pelo domínio de territórios e rotas de comércio, gerando intolerância, ódio e enfrentamentos que se arrastam até os dias de hoje.
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    Definido como

    Citações de Cruzadas

    uma peregrinação de cunho militar decidida por um papa que concede a seus participantes privilégios temporais e espirituais e lhes determina o objetivo de libertar o Sepulcro de Cristo, em Jerusalém.

    A peregrinação aos lugares santos foi, portanto, um dos elementos primordiais das cruzadas e as definiu quase inteiramente.

    Foi a partir dessa época que a opinião do povo comum europeu começou a considerar os judeus como inimigos de Cristo e blasfemadores da Cruz. As cruzadas marcam o início da degradação da situação jurídica e prática dos judeus do Ocidente, que até essa época eram tolerados e relativamente integrados na população em geral.

    Em 1290, Veneza e o rei de Aragão enviaram socorros a Acre, aonde chegou também uma tropa indisciplinada de lombardos e de toscanos; esses aventureiros, que afirmavam ser cruzados, começaram a massacrar os comerciantes muçulmanos que viviam na cidade e forneceram assim um pretexto para a intervenção decisiva. Após um assédio de quatorze dias, apesar da resistência corajosa das ordens militares, dos contingentes franceses e ingleses e de reforços enviados de Chipre, a cidade foi tomada em 18 de maio de 1291; a própria cidadela, defendida ferozmente pelos templários, foi conquistada dali a dez dias, em 28 de maio. Todos os cristãos que não puderam fugir nos barcos venezianos ancorados no porto foram mortos ou reduzidos à escravidão.

    Misturando temas apocalípticos e escatológicos, especialmente o da conversão dos judeus que anunciaria o fim dos tempos, a pregação das cruzadas contribuiu para desencadear, sem que isso necessariamente tivesse sido desejado, um incêndio de anti-semitismo oficialmente reprovado pela Igreja.

    a tomada de Jerusalém se revelou para o Islã o sinal mais claro da intolerância cristã.

    O que foi feito dos dinheiros recolhidos, Que pelos jacobinos e frades menores Foram recebidos como testamento…? Que os clérigos também, trabalhadores, Coletaram em um grande ajuntamento, Para que os exércitos de Deus fossem mantidos? Eles tiveram bem diverso resultado, De suas riquezas foram o fundamento E Deus continuou lá, ainda pelado…29

    cruzado, sua família e seus bens eram colocados sob a proteção da Igreja: o titular era retirado da jurisdição laica e dependia doravante somente dos tribunais eclesiásticos; nem seu senhor, nem o rei poderiam exigir mais dele ajuda ou impostos;

    De fato, a conquista de Constantinopla deu aos venezianos o livre acesso ao Mar Negro, até então proibido aos barcos estrangeiros.

    O resultado da cobrança das décimas aos eclesiásticos franceses, destinada a financiar a cruzada contra os albigenses, foi empregado por Gregório IX para pagar uma parte das despesas de sua guerra contra Frederico II. Assim, o próprio papado, empregando o produto das décimas em “cruzadas políticas” confirmou a idéia corrente na opinião pública, se é que não deu origem a ela, de que os fundos eram desviados para outros fins, e contribuiu de certo modo para enfraquecer a causa das cruzadas.

    enquanto estivesse no caminho da peregrinação, a hospitalidade lhe era devida e nenhum pedágio lhe poderia ser cobrado.

    Ao expulsarem os antigos proprietários muçulmanos, os cruzados empobreceram a classe dirigente, mas não modificaram a situação dos camponeses, que parecem ter ficado indiferentes a essa troca de senhores. Os francos não modificaram os métodos de exploração rural: as terras de cultivo de cada aldeia, chamadas de casal, foram divididas em unidades fiscais (charruées ou aráveis); as reservas senhoriais eram quase inexistentes, por falta de mão-de-obra; as raras corvéias eram utilizadas quase sempre, segundo a tradição bizantina, para o transporte dos produtos agrícolas correspondentes às contribuições em espécie ou para trabalhos de interesse público. Os métodos e os tipos de cultura tradicionais foram conservados; os francos unicamente encorajaram o plantio de vinhedos e de olivais, estes nas zonas costeiras, além da cana-de-açúcar e de outras culturas comerciais, cujo produto era destinado à exportação.  Um dos resultados das cruzadas foi a criação de uma nova rota para o comércio do Levante, mas seu desenvolvimento a partir do século XII não pode ser atribuído somente a essa causa.

    No século XII, os reis de Jerusalém possuíam quatro baronias (Jerusalém, Naplusa [Nablus], São João d’Acre e Tiro) e numerosas aldeias localizadas nessas senhorias. A maior parte de seus recursos derivavam dos impostos sobre o comércio, dos direitos de venda (chamados droitures de la fonde [direitos territoriais] sobre os mercados, também chamados de fondouk ou fonduque) e dos direitos de trânsito (a taxa ad valorem de um vigésimo-quarto exigido das caravanas que iam do Egito ou da Arábia à Síria ou faziam o percurso contrário através dos territórios do “Ultra-Jordão” [Transjordânia]; e dos direitos de importação ou de exportação (a corrente que fechava a entrada do porto de São João d’Acre e que só era retirada após o pagamento, deu nome à alfândega e depois ao imposto). Eles possuíam também a renda de vários monopólios industriais (tinturaria, curtumes, fábricas de sabão etc.), o direito de cunhagem (que, diferentemente dos países do Ocidente, era reservado ao rei)34, que produzia moedas de ouro com legendas árabes (os “besantes sarracenos”), além de moedas de prata no modelo ocidental.  Eram esses recursos que permitiam ao rei conceder feudos em besantes ou feudos de soldo, na base de quinhentos besantes anuais para cada cavaleiro, algumas vezes mais numerosos em uma senhoria que os feudos em terra, constituindo a estrutura econômica e política mais original dos estados cruzados. Na realidade, os cruzados encontraram no Oriente uma economia monetária muito mais desenvolvida do que a do Ocidente. Isso explica por que foram estabelecidas nos estados latinos, muito antes que no Ocidente, taxas indiretas importantes, aluguéis de feudos e cunhagem de moedas de ouro.

    Aos críticos que contestavam a legitimidade de uma guerra santa porque ela contradizia o ideal evangélico, responderam que os infiéis haviam ocupado a Terra Santa consagrada pela vida e morte de Cristo e maltratavam seus súditos cristãos. Quando recebiam a objeção de que uma guerra de conquista era injusta e que as conversões forçadas dos muçulmanos eram totalmente condenáveis, os juristas respondiam que os sarracenos proibiam a entrada de missionários e que era preciso primeiro submetê-los para depois lhes poder pregar livremente a Palavra de Deus.

    O transporte de peregrinos ou de exércitos41 favoreceu o desenvolvimento das frotas de Pisa, Gênova e mesmo de Marselha, na França, e trouxe somas consideráveis para os cofres dos mercadores, que eles passaram a empregar para a compra de novos produtos no Oriente.

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