Visualizando a atuação dos meios de comunicação na veiculação da criminalidade em Manaus, se analisou o papel desempenhado pelos jornais “Dez minutos” e “Manaus hoje” que têm como principal “público-alvo”, habitantes as áreas de periferia da cidade, publicando notícias sobre atos puníveis ocorridos nessas áreas. Nas páginas dos jornais, diariamente, se verifica a exposição das pessoas envolvidas nesses fatos como “pestes” e a proposta de tratamento dessas, pelo estabelecimento de um regime de “tolerância zero”. O presente estudo pretendeu comprovar que esta atuação dos jornais é orientada pela racionalidade neoliberal, os diagramas de poder da sociedade de controle e as políticas criminais “Lei e ordem” e “Tolerância zero”, que propõe um regime que abrange toda a sociedade, em que se pune qualquer desvio, algo que está em pleno funcionamento nas principais democracias neoliberais na atualidade. Nas áreas de periferia, onde a criminalidade relaciona-se às questões socioeconômicas, os efeitos da “Tolerância zero” são mais sentidos produzindo uma fratura exposta na atual “sociedade da tolerância” enraizada no universalismo internacional, produzindo a nova figuração das pestes da criminalidade no neoliberalismo. Os jornais, assim, atuam como agenciadores dos processos de subjetivação dos leitores e trazem diferentes táticas para as sujeitar habitantes das periferias, pela difusão da “tolerância zero” como forma ideal de combate à criminalidade nessas áreas, permitindo também a expansão de uma “Indústria da Tolerância” em Manaus que enriquece com o relato da punição.
Política e Controle do Crime: "A Indústria da Tolerância" em Manaus
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