Elis Miranda Universidade Federal do Rio de Janeiro O trabalho analisa a paisagem da cidade de Cametá, localizada às margens do rio Tocantins, no estado do Pará, na Amazônia brasileira como parte integrante do projecto do Marquês de Pombal (1750-1777) em integrar a Amazônia ao território português. Cametá, fora fundada em 1637, em posição estratégica, na margem esquerda do rio Tocantins. A partir do seu porto poderia se fazer o controle da circulação das embarcações que circulavam por uma possível ligação entre as áreas das minas de ouro das terras de Goiás e a foz rio do Amazonas, bem como exercia papel importante no comércio das drogas-do-sertão. E juntamente Belém (1616), Gurupá (1939) e Bragança (1624) realizava o controle de circulação das vias fluviais, e assim, protegia as terras do vale amazónico da entrada de embarcações de nações inimigas de Portugal. O projeto do Marquês de Pombal objectivava, principalmente, consolidar o vale amazónico como território luso. Para isso, não bastava assegurar o domínio territorial da mesma forma que vinha sendo feito há mais de um século. Dessa maneira, o projecto de Pombal fundou novas vilas e cidades em todo o vale do rio Amazonas, em substituição às missões religiosas dos Jesuítas, a nominação dessas novas cidades com topônimos portugueses e a construção do plano urbanístico aos moldes das cidades portuguesas, dando uma feição lusa no vale amazónico, impondo, dessa maneira, a cultura lusa sobre a cultura indígena. A análise da paisagem da cidade de Cametá será feita á luz da teoria das representações sociais e da Geografia Cultural, que entende a paisagem como um texto, que pode ser lida e interpretada, relacionando os objectos espaciais à organização social e aos elementos da natureza, tão significativo no caso de Cametá. A paisagem da cidade será analisada a partir de fotografias feitas pela autora nos anos de 2003 e 2004, durante a realização de seus trabalhos de campo. Mostrando, dessa maneira, a permanência da presença portuguesa em território amazónico.
Cametá: Marcas da presença portuguesa na Amazónia
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