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    O Mundo Underground de Malazarte

    Por Davi Antunes

    Sobre

    A pichação fere o retrato da cidade, provoca o cidadão comum mas, na sua essência, traz uma carga de informação de um grupo de indivíduos querendo dizer algo.Cabe a sociedade abrir espaço para esses jovens darem prosseguimento a uma forma de se expressar que começou lá atrás nas representações artísticas pré-históricas.

    Na exposição de arte moderna, ele, Malazarte, classificou-a de vendaval de ideias mal resolvidas, no entanto, ficou impressionado. Gostou demais do que viu. Naquela noite não conseguiu colar um cílio no outro. Ruminava as enormes estruturas concretas. Possuído fora pela proposta da arte moderna.
    Amanhece para todos os seres vivos, para ele, apenas a sequência do fenômeno dia e noite se movimenta.
    A mãe, no quintal, ordena aos gritos:
    – Menino, traz a bacia que está com a roupa molhada!
    Ágil e forte, não se importa com o peso. Num solavanco, ergue a pesada bacia e a coloca sobre a cabeça. Carrega até a mãe. Vergando os músculos ao máximo da elasticidade jovial, deita a mesma. Ao levantar-se depara com os bambus que apoiam o fio do varal. Neste momento entende tudo: como fará sua obra de arte, onde achará o material a ser usado e por que a fará. Quer a integração total das pessoas com o meio ambiente. Sendo o bambu redondo, ao mirá-lo sentencia: a união sem emenda, o elo, a aliança; sem fim, sem princípio.
    Começa, então, a encaixar os bambus que, aos poucos, foram trazidos do sítio para a cidade. No quintal de terra vermelha, sobe a estrutura em desordem simétrica. Já atinge cinco metros de altura, a obra. Os vizinhos, ressabiados com a arquitetura paranóica, qualificam-no como homem desregrado e de grande ameaça à monótona harmonia local. Chamam a autoridade. A polícia empurra a reclamação para a regional da prefeitura. Funcionários da prefeitura prometem estudar o caso mas não arredam o pé da regional. No local onde começou a encrenca, nenhuma visita desses servidores há.
    Ele, Malazarte, teima dizendo para si e para quem quiser ouvir:
    – A arte se sustenta por si só.
    Quando a monstruosidade chega à altura de sete metros, a mãe, preocupada, questiona:
    – Será arte esta estrovenga?
    O filho derrama explicações:
    – O paralelismo funciona bem para a mente humana somente nos trilhos do trem. Ao quebrar a barreira, mamãe, da arte habitual, quebro também a compreensão. Por esse motivo, esta – aponta o dedo para a estrutura – será a arte que reinventará a própria arte.
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