Este livro é um ensaio, ou seja, uma abordagem do tema sem maiores preocupações em aprofundá-lo e muito menos esgotá-lo. Leva o propósito de tão somente constituir-se num estímulo á reflexão dos leitores sobre assunto intrinsecamente vinculado a sua realidade vivencial: a família hoje.
O estudo da família processa-se atualmente sob o signo da perplexidade, face as surpreendentes transformações porque tem passado a estrutura familiar na contemporaneidade. Tais transformações ocorreram sob a égide da “revolução sexual” e sob o influxo do questionamento dos papéis do homem e da mulher em suas relações interpessoais, experienciadas no contexto de uma sociedade que transita por um período de mudanças no seu sistema de valores, quiçá sem precedentes na história do processo civilizatório.
O movimento feminista, o reconhecimento dos direitos da criança e do adolescente, a desvinculação do ato sexual da função de procriar com o advento dos modernos métodos anticoncepcionais, a institucionalização do consumo como pauta cultural no mundo atual, os avanços tecnológicos e suas repercussões no prolongamento da vida humana -- eis aí algumas das questões subjacentes à feição hodierna da família.
São tais e tantas as mudanças que se processam nas formas e conteúdos da vida familiar que há quem venha vaticinando sua extinção como instituição humana. No entanto, a família parece estar mais viva que nunca. Indícios desta sua vitalidade são: a tendência contemporânea em buscar-se no âmbito da vida familiar as saídas para o mal-estar vigente na “aldeia global” que habitamos, a retomada do interesse por seu estudo nas ciências humanas em geral e a inclinação a considerar-se as terapias familiares como a abordagem psicoterápica mais adequada a nossos tempos.
Há uma generalizada preocupação com o destino das estruturas familiares tradicionais, teme-se por sua falência na função de normatizar as transformações sociais em curso e questiona-se sua possibilidade de adaptar-se ao ritmo frenético do progresso tecnológico que monitora o advento do próximo milênio. Isso nada mais é do que a confirmação indireta de que a família continua sendo percebida como viga mestra de qualquer realinhamento no processo evolutivo do ser humano. Por isso me parece lícito afirmar, parodiando Lavoisier, que “na família nada se perde, nada se cria, tudo se transforma”.
Ressignificar a família na sua função balizadora de nosso périplo existencial é um imperativo nos dias que correm; reposicioná-la como guardiã de nossas identidades pessoais é ‘conditio sine qua non’ para a superação das ansiedades confusionais a que estamos sujeitos pelas características competitivas do mundo de hoje; revitalizá-la com o aporte de novas e mais satisfatórias modalidades de relacionamento entre seus membros é indispensável para seguirmos aperfeiçoando a convivência humana; por fim, repensá-la é tarefa a ser por todos nós compartida por sua transcendência para a condição humana.
Conquanto nosso objetivo seja o de contribuir com o aporte de novos conhecimentos dentro do propósito de atualização implícito no título deste volume, faz-se mister alertar o leitor sobre o caráter estritamente pessoal da abordagem do tema, pois a maior parte dos conceitos e opiniões emitidas no texto provém menos da literatura compulsada para a elaboração dos diversos capítulos do que do trato com famílias ao longo da trajetória profissional do autor.
Vejamos agora uma breve resenha sobre o conteúdo das páginas seguintes:
O ensaio abre-se com uma tentativa de situar o significado da expressão “família” dentro da várias acepções possíveis e no universo multifacetado das formas que assumiu este agrupamento humano no decurso da história. Através do exame dos papéis familiares e das funções bio-psico-sociais que a família exerce, procura-se compreender seu significado na gênese e desenvolvimento das distintas civilizações. Assim como os indivíduos, a família tem um ciclo vital e com sua análise encerra-se
FAMÍLIA HOJE
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