1964: O Golpe
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Ainda capitão, em 1937, redigiu o “Plano Cohen” – uma diabólica conspiração comunista que espalharia o terror pelo país, forjada pelo Serviço Secreto do Exército – que serviu de pretexto para o golpe branco do Estado Novo.
Há muito, as Forças Armadas estavam divididas em termos políticos, mas ambos setores conviviam no estamento militar, mesmo um falando mal do
Mourão foi o primeiro militar a conspirar escancaradamente, tal qual Júlio de Mesquita Filho e Carlos Lacerda foram os primeiros conspiradores civis a não guardar segredo do que faziam. (Ao transformar-se a conspiração em sedição e a rebelião vitoriosa em golpe de Estado e, logo, em governo, pouco a pouco os três acabaram por desiludir-se e se opor ao rumo autoritário que desembocou no militarismo opressivo e direitista da ditadura.)
O golpe de 1964 deflagrou-se em 1961 no exato dia da renúncia de Jânio Quadros, a 25 de agosto daquele ano, antes de que o próprio Jango (em visita oficial à China comunista) soubesse que deixara de ser vice-presidente e passara a chefe do governo.
Os disparos saem de todos os lados. E de ambos os lados, com diferentes armas, das legais às letais. Na direita, numa ofensiva programada, os conspiradores sabem onde querem chegar, têm um objetivo concreto – derrubar o presidente da República e arrasar todo o esquema que o levou ao poder em 1961. Estão organizados, agem nos subterrâneos. Na esquerda, os conspiradores disparam sonhos, abertamente sonham, num romântico namoro com a revolução das massas e a reforma social. Exibem-se muito e agem pouco.
Em São Paulo, o general Kruel adere à rebelião de Minas, após longa conversa telefônica em que seu compadre Jango rejeita as condições que impõe para continuar leal ao governo: 1) declarar ilegal o Comando Geral dos Trabalhadores (CGT) e outros organismos, como o Pacto de Unidade e Ação e a UNE, e romper com “o sindicalismo pró-comunista”; 2) declarar publicamente seu repúdio ao comunismo e aos comunistas; 3) rever a quebra
A crise que nesta hora se manifesta no país foi provocada pela minoria de privilegiados, que vive de olhos voltados para o passado e teme enfrentar o luminoso futuro que há de se abrir para a nossa democracia, pela integração de milhões de brasileiros, irmãos nossos, que serão incorporados à sociedade e libertados da penúria e da ignorância. […] Esses grupos, que tentam impedir o progresso do país e barrar a ampliação das conquistas populares, são comandados hoje pelos mesmos que ontem pregavam o golpe, ditadura e regimes de exceção; pelas forças e pessoas que causaram o suicídio do grande e imortal presidente Vargas; que foram responsáveis pela renúncia do meu antecessor e que procuraram impedir em 1950, 1955 e 1961 a posse de três presidentes eleitos. São essas forças que hoje se unem contra as reformas exigidas pelo povo brasileiro.