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    18 dias

    Por Matias Spektor
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    "Extraordinário... Parece hoje inacreditável que tucanos e petistas pudessem ter colaborado tão intensamente". ? Clóvis Rossi, na Folha de S. Paulo
    18 dias é a história por trás da ofensiva diplomática de Lula e FHC para quebrar a resistência do governo norte-americano ao PT nas eleições de 2002.
    No livro, Matias Spektor, professor da Fundação Getulio Vargas e colunista da Folha de S. Paulo, revela uma faceta desconhecida dos bastidores do poder: o papel da política externa durante uma troca de comando no Palácio do Planalto.
    Com documentos inéditos e entrevistas exclusivas, a obra reconstitui os 18 dias da transição presidencial mais delicada de nossa história recente.
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    Citações de 18 dias

    A chamada “política externa independente”, apesar da crítica progressista à dominação das superpotências, ficou restrita aos gabinetes, sem mobilizar a população.

    Assim, a identidade brasileira seria, em si mesma, fonte de diversas virtudes, tais como a criatividade, a tolerância, a capacidade de empatia com outros povos e a habilidade para operar como mediador natural nas relações internacionais. O Brasil teria, portanto, uma contribuição ímpar a fazer para a ordem global e mereceria, por isso, status diferenciado.

    Antes de viajar, porém, Dirceu combinou o jogo com FHC. A campanha petista foi aos Estados Unidos em coordenação com o Planalto tucano.

    Dirceu era o primeiro cacique petista na história do partido a abrir caminho nos Estados Unidos.

    Apenas um punhado de pessoas sabia, mas, por trás daquele jantar, quem vinha operando em silêncio para facilitar o acesso de Lula a Washington era FHC, o presidente em função.

    FHC não agiu por benevolência ou simpatia pessoal por Lula, mas puro cálculo político. A sobrevivência do real e do programa tucano de reformas sociais dependia da aceitação, nos mercados internacionais, de um governo brasileiro de esquerda.

    ENTRE 1993 E 1995, a mudança social do país foi impressionante: a renda média cresceu 12% ao ano, e 6% da população deixou de ser miserável. Milhões de brasileiros passaram a consumir carnes pela primeira vez, e o acesso da população a produtos de higiene pessoal como pasta de dentes e sabonetes virou emblema da época. Esse processo transformou Fernando Henrique no político predileto dos pobres.

    Adaptando o esquema utilizado nos Estados Unidos, o Planalto criou cinquenta cargos públicos para os indicados do presidente eleito, que seriam albergados em um prédio reformado e teriam acesso a carros oficiais, secretárias, móveis e um sistema próprio de telecomunicações. Eles ainda teriam acesso a um portal na internet com um vasto banco de dados secretos. Um glossário on-line listaria os principais termos e abreviações do jargão burocrático. Uma “Agenda 100” relacionaria os temas pendentes aos quais o governo entrante teria de dar resposta nos cem primeiros dias, tais como datas de vencimento de contratos, o andamento de negociações com terceiros países e a agenda de votações do Congresso Nacional.1 FHC também instalaria uma equipe de transição no Planalto, composta dos responsáveis por repassar todas as informações relevantes ao futuro governo Lula.

    argumento era apresentado assim: herdeiro do colonialismo cristão europeu, o Brasil é claramente ocidental quando comparado ao mundo islâmico, à Índia ou à China. Entretanto, a presença de populações indígenas, europeias, negras, árabes, islâmicas, judaicas e asiáticas produzira os fenômenos da “miscigenação racial” e do “sincretismo religioso”. Essas características seriam suficientemente fortes para distinguir o Brasil de outros países oriundos do colonialismo europeu, tais como África do Sul, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, ou mesmo a vizinha Argentina. Assim, a identidade brasileira seria, em si mesma, fonte de diversas virtudes, tais como a criatividade, a tolerância, a capacidade de empatia com outros povos e a habilidade para operar como mediador natural nas relações internacionais. O Brasil teria, portanto, uma contribuição ímpar a fazer para a ordem global e mereceria, por isso, status diferenciado.

    Lula, ao contrário, isolou-se ao denunciar a nova moeda. Sua equipe avaliou que o Plano Real fracassaria, assim como ocorrera com outras tentativas de debelar a inflação. Aloizio Mercadante, candidato a vice-presidente pelo PT em 1994, chamou o Plano Real de “bomba de efeito retardado”. Em uma entrevista, disse que “a inflação será mantida sob controle só até o dia da eleição”. Ele sugeria, como alternativa, o controle de preços dos produtos da cesta básica. Propunha também “tensionar e politizar a questão da dívida externa”.

    Em um hipotético governo petista, haveria conselhos de trabalhadores em cada fábrica. Mas a propriedade privada continuaria sendo a base do sistema. A melhor prova era a capacidade do partido de conquistar o apoio da classe média urbana.9. Essa imagem benigna ganhou força quando o PT se tornou o partido da ética, liderando a CPI contra a corrupção no governo Collor, que incriminou da ministra da Fazenda à primeira-dama.

    “Preocupa-nos saber”, afirmava uma carta assinada por doze deputados norte-americanos, “que o sr. da Silva, em cooperação com o regime comunista de Fidel Castro, estabeleceu um grupo esquerdista, antiglobalização, chamado Fórum de São Paulo”.3

    Em 2001, o número de argentinos vivendo abaixo da linha da pobreza era de 37%. Um ano depois, esse número chegou a 58%. A soma de desempregados e subempregados alcançou 43% da força de trabalho.

    O presidente eleito distanciou-se de Chávez e Fidel Castro, repetiu seu compromisso com os contratos assinados por FHC e disse ser capaz de honrar os interesses de empresários e banqueiros brasileiros. Quando o jornal lhe perguntou se era socialista ou pró-livre mercado, Lula respondeu que seu exemplo era Franklin D. Roosevelt, pai do Estado de Bem-Estar Social norte-americano. Lula ainda disse que, ao longo de sua campanha, lembrara sempre do presidente Abraham Lincoln: um político vindo de baixo, que batalhara durante anos a fio antes de alcançar o poder.

    A segunda dúvida de Bush era mais prosaica. “E aquela estrela vermelha? Você viu aquilo na lapela dele?”, perguntou o presidente a Maisto. “É o emblema do partido”, respondeu o assessor. “Eu sei que é o emblema do partido!”, exclamou Bush. “Mas agora ele é o presidente do Brasil, não do partido!”

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