A importância da psicanálise na contemporaneidade expressa a sua trajetória histórica e colhe os frutos desse percurso não linear, com suas idas e vindas, na busca do entendimento da complexidade da vida.A postura do seu criador foi estar atento ao momento histórico em que vivia e às idiossincrasias do humano, tornando-a sempre atual. Soube ouvir as histórias de seus pacientes e os dilemas do seu tempo (final do século XIX, início do século XX), detectando, por exemplo, o que as histéricas queriam comunicar: um sofrimento silenciado, em um mundo que as impedia de falar. Soube entender seu discurso corporal, os mecanismos utilizados por elas para romper o silêncio, ainda que por uma via tortuosa. Sua experiência clínica, seu contato consigo mesmo e com o mundo, foram ingredientes importantes no processo de formulação de uma teoria que levava em consideração as ambiguidades contextuais de uma época, cujo sintoma era a histeria.Freud seguiu seu caminho, elaborando hipóteses, que incentivaram estudos a respeito dos mecanismos psíquicos instaurados para lidar com os conflitos e com os padecimentos humanos. Ofereceu generosamente a sua própria experiência, os seus sonhos, as suas dificuldades, os seus traumas muitas vezes se autoanalisando, outras, se autocriticando. Soube reconhecer equívocos e reformular ideias e convicções durante a sua vida.Diante desse universo multifacetado, que contempla as relações entre individual/social, particular/universal, privado/público, intra/interpsíquico, elaborou uma teoria, cujo conceito básico é o inconsciente. Como a psicanálise pode contribuir para a escuta dos dilemas, dos conflitos e das demandas paradoxais do século XXI? Essa questão me incita a buscar e a agregar novos conhecimentos para transitar nesse contexto em que mudanças profundas e rápidas são gestadas, instando profissionais de todas as áreas a se situarem diante da complexidade de cada momento.A intenção nessa pesquisa, portanto, é propor diálogos que enriqueçam meu repertório teórico e clínico ao aproximá-lo da terapia sistêmica no viés construcionista social – minha formação de origem -, por acreditar na grande contribuição da psicanálise freudiana para essa abordagem. A teoria sistêmica, explicitada no capítulo inicial, tem sido de grande valia, pois ilumina o sistema em que emergem os conflitos e suas relações. Para isso, convido o leitor a revisitar alguns momentos importantes de sua história e as interfaces com as múltiplas áreas do conhecimento. Além disso, também perceber como esse conhecimento teórico se transformou em uma prática clínica.
A Complexidade dos Sistemas Humanos e a Linguagem – Interlocuções com a Psicanálise
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