Maria Madalena Larcher Instituto Politécnico de Tomar Se o império português viu desenrolar-se, sob um cenário geográfico multicontinental, diversos modelos sociais, que se entroncam, sob alguns aspectos, nas coordenadas gerais da sociedade portuguesa de então, mas que são verdadeiramente inovadores no que toca à adaptação às peculiaridades locais, do meio físico e humano, da economia e articulação de poderes, também a pluralidade marca, neste campo, a realidade do Brasil. O Brasil é, pois, um terreno importante para o estudo da complexidade das estruturas sociais do império português do século XVII, estruturas que é necessário abordar sob diversos prismas, mas principalmente sob dois: sociológico e jurídico, integrando em ambos, face à realidade da metrópole, o peso das categorias étnicas. É concretamente na especificidade de cada região que importa analisar os aspectos vários, tais como o da mobilidade social, os critérios de prestígio as elites ou ainda os preconceitos, nomeadamente os sócio-religiosos. A importância desigual dos diversos sectores da Igreja manifesta-se, neste contexto, mais um aspecto de relevo e de interesse na conjugação da história social com a história económica e política, ao enquadrarem-se os critérios de cada sociedade na evolução que aí assumiu a articulação de poderes, civis e eclesiásticos, eplo rei, simultaneamente o máximo representante do Estado e o administrador da própria Igreja, em brazão do Padroado. Em tempos de afirmação do absolutismo, as tensões internas entre o Estado e a Igreja, e no seio dos diversos sectores que os compõem, não podem deixar de transbordar, trazendo às vivências quotidianas os ecos da realidade do tempo, da América e da Europa, nas características da estratificação social, nos distintos discursos de poder, nas marcas das mentalidades.
A Igreja e a sociedade seiscentista no Brasil
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