"Era uma vez uma torre toda branca, feita com o marfim de 15.000 elefantes, e tão alta, tão imensa, que sua cúpula roçava o céu e o cruzeiro que de seu apogeu resplandecia tocava a luz de uma estrela.
Tal torre ficava na cidade de Ut´L, um vilarejo que nunca entrou em nenhum mapa da época em que a terra toda era circunavegada e relatada em prosa e verso pelos digníssimos filhos da mui amada terra de Portugal e seus destemidos marinheiros que, munidos apenas de ambição e coragem, valentemente singravam todos os mares.
Dizia-se que a torre sempre estivera lá, desde muito antes dos homens, desde antes de qualquer navegante de qualquer península se lançar em aventuras e descobertas, antes mesmos das bestas de ossos gigantes que um dia, antes do dilúvio, tinham pisado e revolvido a terra.
Erigida lá por uma raça extinta e tendo sua original finalidade se perdido no correr das eras, a torre persistia, indiferente ao tempo e às sucessivas vilas de homens, cujas construções cada vez mais robustas, sempre a cada novo ciclo de primaveras vinham lhe fazer sombra. Trazia em si uma promessa e uma maldição".
Parábola bem-humorada sobre a busca do conhecimento (e do poder a ele inerente), "A lenda da torre de marfim" é um conto curto de fantasia, uma paródia dos contos de fadas e das antigas histórias de cavalaria. Transitando pelos temas da verdade histórica, igualdade de gênero em confronto com a tradição e dos sentimentos necessários à aventura e à descoberta, o conto costura a linguagem anedótica com idéias pouco convencionais para levar o leitor a um inesperado e exótico final.
A lenda da torre de marfim
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