A flecha está posta no arco. A corda retesada, quase a ponto de partir-se, diz a qualquer observador que a presa está na mira. Mas não há observadores naquela floresta. Ou talvez existam, mas ela não os percebe. Ela não escuta qualquer outro barulho que não o de sua própria respiração. Não há farfalhar de folhas, não há canto de pássaros. Há apenas um inspirar e respirar uniforme, quase uma sinfonia, de uma garota de onze anos, que tem a pele morena em um tom quase avermelhado e longos cabelos pretos como uma noite sem luar que chegam-lhe à cintura. Está nua em pelo. Não precisa de roupas para andar na floresta. Não que use roupas comumente. Talvez uma pequena tanga cobrindo-lhe as vergonhas, ?mas mesmo isso não deve ser usado em sua primeira morte?, dissera-lhe o tio, Ubirani. ?Você deve estar como veio ao mundo, deve sentir em todo o seu corpo a pulsação da mãe Ibiá, a mãe Terra. Deve sentir sua presa, deve sentir sua dor?.
A primeira morte: Contos de Pindorama
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