Ah se não fossem de água, mas de vento
os moinhos, explicar-me-ia a contento.
Assim, estou dentro de mim às escuras,
onde, volta e meia, andam às turras
dois egos sem ter par nem igual:
um deles quixotesco, o outro, claro, pançal!...
Mas como arremeter cutiladas
contra os moinhos, se as ditas águas,
ao fim e ao cabo, estão paradas?
Como estivera enclausurado entre tábuas,
escoado de vontade e absorto,
de gládio quebrado e escudo roto,
sento-me, inconsolável, à sombra do moinho?
Então, já tão farto de estar sozinho,
sozinho, todavia, eu já não fico:
vejo vir na lonjura, montada em seu burrico,
uma moleira roliça de roliços quadris.
Sua presença ali a si mesma contradiz:
?Não verás, moleirinha, que estão paradas as águas??
?Este moinho não mói trigo, mói palavras,
e é a imaginação, não a água, a sua força motriz!...?
Engulo em seco, olhos fixos em seus quadris?
Realmente, imaginação é mui potente força
e dou por mim ajudando a moça
a descarregar o burrico de seus pesos:
grãos de cereal que cairão, indefesos,
no olho da mó, sofrendo as duras penas
que fazem do grão farinha e, da farinha, poemas?
os moinhos, explicar-me-ia a contento.
Assim, estou dentro de mim às escuras,
onde, volta e meia, andam às turras
dois egos sem ter par nem igual:
um deles quixotesco, o outro, claro, pançal!...
Mas como arremeter cutiladas
contra os moinhos, se as ditas águas,
ao fim e ao cabo, estão paradas?
Como estivera enclausurado entre tábuas,
escoado de vontade e absorto,
de gládio quebrado e escudo roto,
sento-me, inconsolável, à sombra do moinho?
Então, já tão farto de estar sozinho,
sozinho, todavia, eu já não fico:
vejo vir na lonjura, montada em seu burrico,
uma moleira roliça de roliços quadris.
Sua presença ali a si mesma contradiz:
?Não verás, moleirinha, que estão paradas as águas??
?Este moinho não mói trigo, mói palavras,
e é a imaginação, não a água, a sua força motriz!...?
Engulo em seco, olhos fixos em seus quadris?
Realmente, imaginação é mui potente força
e dou por mim ajudando a moça
a descarregar o burrico de seus pesos:
grãos de cereal que cairão, indefesos,
no olho da mó, sofrendo as duras penas
que fazem do grão farinha e, da farinha, poemas?