Em vigília uma tristeza insistente senta ao meu lado. Ouço gotas de chuva no telhado e o vento que hora beija as árvores da rua, hora as tira para dançar. A garoa desiste. Não consigo explicar a tristeza, assim como não entendo porquê o que ouvi não era chuva. Ou porquê a chuva covardemente desiste da labuta, preferindo, como eu, inexplicavelmente, um descanso, um desespero na calmaria. (...) Possuo apenas a função de anunciar a beleza que observo sem ver, como um rádio que o não ouve o que diz. Como arauto de um veleiro destroçado.
Aranhas e Terceiras Pessoas: dos Abrigos Traidores
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