Suspense. Quando minha mente estava dividida, a impressão que eu tinha era a de que minha alma estava sendo disputada por espíritos de naturezas diferentes. O desenrolar desta disputa, numa alternância de vencedores que parecia não ter fim, ora sob o jugo de um, ora sob o jugo de outro, tomando minha alma e habitando este meu corpo, fazia com que eu experimentasse tanto a confusão da semiescuridão quanto a desorientação completa da escuridão total das trevas. Porém, muitas e incontáveis às vezes em que me senti confuso e também desesperado; como o pêndulo de um relógio que não para de oscilar, minha alma ora pertencia a um, ora pertencia a outro; com isso, minha mente ficava dividida entre um extremo, em que era capaz de, neste corpo, levar a cabo as mais inexprimíveis maldades e outro, onde ficava a culpar-me das maldades que cometia no primeiro, embora não tivesse consciência do que eu tanto me acusava; havia apenas um sentimento de culpa abstrato que me atormentava a existência. Hoje, sinto que sou peregrino neste corpo e nesta terra; eu escrevo o que vejo através destes olhos. Nada, além disto. Eu apenas olho, vejo e escrevo.
ARENA
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