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    As aventuras de Pi

    Por Yann Martel e Maria Helena Rouanet
    Existem 12 citações disponíveis para As aventuras de Pi

    Sobre

    A VIDA É CAPAZ de pregar cada peça...! Tomemos o exemplo de Piscine Molitor Patel, também conhecido como Pi (sim, isso mesmo, igual a 3,14). Um menino indiano de dezesseis anos, filho do dono de um zoológico, vegetariano e... bom... hindu, cristão e muçulmano. Muito bem; pois esse jovenzinho absolutamente normal será lançado numa das maiores aventuras já idealizadas pelo homem moderno, uma luta pela sobrevivência em meio à natureza selvagem e imprevisível do Pacífico. É uma história e tanto, não é?Em As aventuras de Pi, premiado romance de Yann Martel, somos apresentados a esse cativante personagem que subitamente perde tudo — os sonhos, a família, um futuro — após o naufrágio de seu navio. “E o que ele ganha em troca?”, você poderia perguntar, mal se contendo de curiosidade. Pois tudo que lhe resta são um vasto oceano, um bote e uma tripulação de sobreviventes composta de uma zebra, uma hiena, um orangotango e um tigre-de-bengala, animais do antigo zoológico. Animais selvagens, ferozes e letais, diga-se de passagem.“E como poderia um menino indiano de dezesseis anos, um jovenzinho absolutamente normal, sobreviver em alto-mar ao lado de tão perigosas companhias?”, insistiria você. Essa é mesmo uma excelente pergunta — respondida a cada página com tal força e impetuosidade que não demoramos a descobrir por que este livro arranca urros e aplausos no mundo todo.
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    Citações de As aventuras de Pi

    Há em todas as coisas vivas uma dose de loucura que as leva a ter atitudes estranhas, por vezes inexplicáveis.

    Na vida, é importante concluir as coisas do modo certo. Só então a gente pode deixar aquilo para trás. Caso contrário, ficamos remoendo as palavras que podíamos ter dito, mas não dissemos, e o nosso coração fica carregado de remorso.

    O que essas pessoas não entendem é que é só internamente que Deus precisa ser defendido, não externamente. Deviam dirigir a sua fúria contra si mesmas. Pois o mal exterior nada mais é que o mal interior que conseguiu escapar. O principal campo de batalha para o bem não está no espaço aberto da arena pública, mas na pequena clareira de cada coração.

    Preciso dizer uma coisa sobre o medo. Ele é o único adversário efetivo da vida. Só o medo pode derrotá-la. É um adversário traiçoeiro, esperto…

    Ainda sofro um pouco com essa humilhação. Quando já se passou por muita coisa ruim na vida, cada dor adicional acaba sendo, a um só tempo, insuportável e insignificante.

    Há em todas as coisas vivas uma dose de loucura que as leva a ter atitudes estranhas, por vezes inexplicáveis. Essa loucura pode ser uma forma de proteção; é parte integrante da capacidade de adaptação. Sem ela, nenhuma espécie sobreviveria.

    A minha sorte foi ter uns poucos professores realmente bons na juventude, homens e mulheres que entraram na minha cabeça escura e acenderam um fósforo.

    O medo, então, se concentra inteiramente no nosso corpo, que já está sabendo que algo terrível vai acontecer. Os nossos pulmões já bateram asas como um pássaro e as nossas entranhas foram embora se esgueirando como uma cobra. Agora, a nossa língua cai morta como um gambá, enquanto as nossas mandíbulas começam a galopar sem sair do lugar. Os nossos ouvidos ficam surdos. Os nossos músculos começam a estremecer como num ataque de malária e os nossos joelhos chocalham como se estivessem dançando. O nosso coração fica apertadíssimo ao passo que o nosso esfíncter relaxa demais. E assim por diante, com todo o resto do nosso corpo. Cada parte de nós, a seu modo, entra em colapso. Só os nossos olhos continuam funcionando bem. Eles sempre dão a devida atenção ao medo.

    Mas a religião é mais que ritos e rituais. É aquilo que os ritos e os rituais representam.

    Escolher a dúvida como filosofia de vida equivale a escolher a imobilidade como meio de transporte.

    Entrei na igreja, desta vez, sem medo, pois, agora, ali também era a minha casa. Rezei para Cristo, que está vivo. Depois, saí correndo morro abaixo e subi correndo a colina da direita — para agradecer ao senhor Krishna por ter posto no meu caminho Jesus de Nazaré, cuja humanidade eu achava tão cativante.

    As coisas não correram como se esperava, mas o que se pode fazer? Temos de encarar a vida do jeito que ela se apresenta e tentar tirar o melhor proveito dela.

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