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    Casei com um comunista

    Por Philip Roth
    Existem 14 citações disponíveis para Casei com um comunista

    Sobre

    Menino pobre e ignorante que fugiu dos pais, trabalhador braçal sempre metido em brigas, Ira Ringold conseguiu fazer de si mesmo um famoso ator de rádio. Comunista exaltado e linha-dura, Ira se atira com ferocidade contra tudo o que julgue ser um inimigo. Jamais imaginaria que duas mulheres - a esposa e a enteada - pudessem voltar-se contra ele com o mesmo ímpeto. Em plena era do macarthismo, quando ser adepto do comunismo equivalia a crime, a esposa resolve escrever um livro intitulado Casei com um comunista, pondo a nu, diante do público e das autoridades, a vida dupla do astro do rádio.

    Philip Roth compõe, neste romance, uma história de delação, traição e vingança. Narra a desgraça de um homem em quem a cegueira dos ideais públicos bloqueia a visão das ameaças e misérias domésticas.

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    Citações de Casei com um comunista

    Talvez o sr. Ringold soubesse muito bem que garotos feito eu precisavam aprender não só a se expressar com precisão e adquirir um discernimento mais agudo em relação às palavras, como também a ser bagunceiro sem ser burro, não ser reservado demais nem comportado demais, começar a desvencilhar os ímpetos masculinos da retidão institucional que intimidava sobretudo os garotos inteligentes.

    não é preciso ser o Al Capone para transgredir — basta pensar.

    Você não precisa ter uma visão da vida muito elaborada para se apaixonar pelo poder. Não precisa ter uma visão da vida muito elaborada para ascender ao poder. Na verdade, uma visão muito elaborada da vida pode ser a pior barreira, ao passo que não ter uma visão muito elaborada pode ser uma vantagem magnífica.

    Olhe, tudo o que os comunistas dizem sobre o capitalismo é verdade, e tudo o que os capitalistas dizem sobre o comunismo é verdade. A diferença é que nosso sistema funciona porque se baseia na verdade do egoísmo humano, e o sistema deles não funciona porque se baseia num conto de fadas sobre a fraternidade do povo.

    Mas seja qual for a razão, o livro da minha vida é um livro de vozes. Quando me pergunto como cheguei aonde cheguei, a resposta me surpreende: “ouvindo”.

    Comecei a ter a impressão de que todo mundo queria fazer a minha cabeça. Vamos educar o Nathan. Eis o credo de todo mundo a quem eu me atrevia a dar um simples oi.

    Você era assim, quando criança. Era por isso que eu gostava tanto de você: você prestava atenção. E ainda presta. Mas o que há aqui para prestar atenção? Você devia sair dessa, seja qual for o problema. Ceder à tentação de se render não é inteligente. Numa certa idade, isso pode dar cabo da gente que nem uma doença qualquer. Você quer mesmo acabar com tudo antes de sua hora ter soado? Cuidado com a utopia do isolamento. Cuidado com a utopia da cabana no meio do mato, o oásis defensivo con-tra a raiva e a mágoa. Uma solidão inexpugnável. Foi assim que a vida terminou para Ira, e muito antes do dia em que ele caiu duro.

    “Fui derrotado. Passei a vida toda ensinando a mim mesmo a ser sensato em face da insensatez, ensinando o que eu gostava de chamar de vigilante senso prático, ensinando a mim mesmo e ensinando a meus alunos e ensinando a minha filha e tentando ensinar a meu irmão. E fracassei. Era impossível desirar o Ira. Ser sensato em face da insensatez era impossível.

    por causa de todos os meus princípios. Não posso trair meu irmão, não posso trair meu trabalho de professor, não posso trair os necessitados de Newark. ‘Não eu, eu não vou abandonar este lugar. Eu não vou fugir. Meus colegas podem fazer como quiserem. Eu não vou abandonar essas crianças negras.’ E assim quem eu acabei traindo foi a minha esposa. Pus a responsabilidade das minhas decisões nos ombros de outras pessoas. Doris pagou o preço da minha virtude cívica. Ela é a vítima de minha recusa… Olhe, não há como sair dessa história. Quando a gente se desvencilha, como tentei fazer, de todas as ilusões óbvias, religião, ideologia, comunismo, ainda ficamos com o mito da nossa própria bondade. Que vem a ser a última ilusão. Aquela pela qual sacrifiquei a vida de Doris.

    um homem perpetuamente sedento em busca da sua vida. Era isso o que o deixava enraivecido, confuso, e foi isso o que o desgraçou: Ira nunca conseguiu construir algo que servisse para ele. A enormidade do equívoco do esforço desse sujeito. Mas os erros de uma pessoa sempre vêm à tona, não é?

    Murray Ringold, que escolhera não ser nada mais extraordinário do que um professor de escola secundária, tinha fracassado na tentativa de se esquivar do tumulto do seu tempo e lugar, e havia terminado, da mesma forma que o seu irmão, como uma baixa da história.

    Na sociedade humana — ensinava-nos o sr. Ringold — pensar é a maior transgressão que existe. — Pen-sa-men-to crí-ti-co — dizia o sr. Ringold, usando o nó dos dedos para martelar cada sílaba na sua mesa —, eis a subversão suprema.

    esse universo onde o erro não se intromete. Vemos o inconcebível: o espetáculo colossal de não existir nenhum antagonismo. Vemos com nossos próprios olhos o imenso cérebro do tempo, uma galáxia de fogo que mão humana alguma pôs ali. As estrelas são indispensáveis.

    em pouco tempo, eu tinha jogado fora tudo aquilo que eu não quero mais combater, tudo, menos o necessário para se viver e trabalhar.

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