Corações sujos
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18 de junho de 1908, quando aportou em Santos o navio Kasato Maru, trazendo do Japão as primeiras 165 famílias de agricultores, num total de 786 pessoas.
O país se alinharia às democracias e romperia relações com o Eixo. Em retribuição ao gesto, os Estados Unidos se responsabilizariam pela modernização econômica e militar do Brasil.
O surgimento, em poucas décadas, de uma colônia estrangeira tão numerosa desenterrou ódios nacionalistas de caráter abertamente racista. Em nome de uma “teoria do melhoramento do tipo racial”, homens públicos como Miguel Couto, Félix Pacheco e Xavier de Oliveira, entre outros, haviam incendiado as tribunas da Constituinte de 1934 em cruzada contra o “perigo amarelo”.
Ao contrário do que acontecera nos fluxos de japoneses para o Canadá e Havaí, a imigração para o Brasil estava baseada na unidade familiar, e não no indivíduo.
Na manhã seguinte a cidade de Santos amanheceu sitiada por tropas do Exército e da Força Pública, encarregadas de “evacuar” para o interior do estado os cerca de 10 mil imigrantes residentes na Baixada Santista, dos quais quase 9 mil eram japoneses e os demais, alemães e italianos.
O candidato conversou com “a japonesada”, almoçou no bandejão da cadeia e na saída comprometeu-se de novo: se eleito, faria tudo para soltá-los.
Ao ser libertado, Yamauchi juntou as economias, comprou uma moto Indian de 1200 cilindradas e resolveu percorrer o Brasil “para compensar” os dois anos que passou na prisão.