Diário da minha viagem para Filadélfia (1798/1799)
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Os corredores para onde as celas têm as portas servem de oficina para trabalharem todos os ofícios que trabalham em casa e sem estrondo, tais são os sapateiros, alfaiates, etc., e no pátio estão as forjas para os ferreiros, os teares, etc., tudo em casas próprias e no meio do pátio trabalham os canteiros, etc. Cada um dos presos, assim que entra, tem aberta uma conta de receita e despesa… Enquanto trabalham não podem conversar, uns com os outros, assim reina o maior silêncio e ordem que se podia imaginar. É curioso de notar aqui, que as mulheres podem falar e me disse o diretor que a razão dessa concessão era e ter-se achado impossível, na prática, o efetuar-se a proibição de falar nas mulheres… Ao pôr-do-sol toca a campainha para deixar o trabalho e vão para os quartos e então se acendem as luzes e cada quarto é uma escola para aprenderem a ler. Os que mais sabem ensinam os outros… depois da cela poderiam os presos conversar nos quartos e, para o evitar, um é obrigado a ler, para que os outros ouçam e, quando este está cansado, outro o muda; a leitura é do livro de devoção ou de moral.” Se Hipólito tivesse podido ler a terrível sátira de Evelyn Waugh, de 1925: Decline and Fall, seria um pouco menos otimista. Pois depois de minuciosa descrição do sistema reformatório conclui: “De cem convictos que saem da prisão ou por perdão ou por ter expirado o seu tempo, não há dois que entrem por reincidência; compare-se isto com a Europa
“1-4-1799 – Hoje vi a prisão-hospital: Almshouse ou Bettlering House. Esta prisão ocupa metade de um quarteirão. E há nestas casas três repartições diferentes; uma onde estão as mulheres, a outra onde estão os homens juntos e outra onde estão os solitary cellars, que correspondem ao nosso segredo… Os corredores para onde as celas têm as portas servem de oficina para trabalharem todos os ofícios que trabalham em casa e sem estrondo, tais são os sapateiros, alfaiates, etc., e no pátio estão as forjas para os ferreiros, os teares, etc., tudo em casas próprias e no meio do pátio trabalham os canteiros, etc. Cada um dos presos, assim que entra, tem aberta uma conta de receita e despesa… Enquanto trabalham não podem conversar, uns com os outros, assim reina o maior silêncio e ordem que se podia imaginar. É curioso de notar aqui, que as mulheres podem falar e me disse o diretor que a razão dessa concessão era e ter-se achado impossível, na prática, o efetuar-se a proibição de falar nas mulheres… Ao pôr-do-sol toca a campainha para deixar o trabalho e vão para os quartos e então se acendem as luzes e cada quarto é uma escola para aprenderem a ler. Os que mais sabem ensinam os outros… depois da cela poderiam os presos conversar nos quartos e, para o evitar, um é obrigado a ler, para que os outros ouçam e, quando este está cansado, outro o muda; a leitura é do livro de devoção ou de moral.” Se Hipólito tivesse podido ler a terrível sátira de Evelyn Waugh, de 1925: Decline and Fall, seria um pouco menos otimista. Pois depois de minuciosa descrição do sistema reformatório conclui: “De cem convictos que saem da prisão ou por perdão ou por ter expirado o seu tempo, não há dois que entrem por reincidência; compare-se isto com a Europa!