Duas Viagens ao Brasil
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Aliados dos franceses, os tamoios moviam guerra sem trégua contra os tupiniquins, aliados dos portugueses.
“Vocês estão no porto de Jurumirim, como os nativos o chamam, ou no porto de Santa Catarina, como os que o descobriram batizaram-no”.
“Um animal irracional não come um outro igual a si, e um homem deveria comer um outro homem?”. Então ele mordeu e disse: “Jauára ichê. Sou uma onça. É gostoso.” E afastei-me.
Ele cortou-lhe a cabeça, pois o Carijó só tinha um olho e, devido à doença que o acometeu, tinha péssima aparência. Jogou a cabeça fora e fez chamuscar o corpo sobre a fogueira para que a pele se desprendesse. Depois retalhou-o e dividiu os pedaços em partes iguais com os outros, como é costume entre eles. Eles o comeram com exceção da cabeça e das tripas, de que tiveram náusea, pois estava enfermo.
Os portugueses que vivem ali são amigos de uma tribo dos brasileiros, os Tupiniquins, cujo domínio se estende por cerca de oitenta milhas para dentro da terra e cerca de quarenta milhas ao longo da costa. Ao norte e ao sul moram inimigos dessa tribo. Os inimigos ao sul são os Carijós, e ao norte, os Tupinambás. Estes últimos também são chamados de Tabajaras pelos seus inimigos, o que simplesmente quer dizer “inimigo”.
Ele falava e lhes contava que comigo eles tinham capturado um peró – assim chamavam os portugueses – e que me tinham feito escravo e que agora, comigo, iriam vingar a morte de seus amigos. Ao lado dos barcos, alguns deles me deram socos. A seguir apressaram-se em empurrar as canoas para a água, pois temiam que em Bertioga o alarme fosse dado, o que de fato aconteceu.
Alguns mamelucos, descendentes de selvagens e cristãos, quiseram fechar esta passagem aos Tupinambás. Eram cinco irmãos. O pai deles era português, e a mãe, uma mulher brasileira. Eram cristãos, e igualmente treinados e experientes no modo de guerrear tanto dos cristãos quanto dos selvagens, e dominavam ambas as línguas. O mais velho chamava-se João de Braga, e seus irmãos chamavam-se, pela ordem, Diogo, Domingos, Francisco e André de Braga, e o pai deles, Diogo de Braga. Cerca de dois anos antes de minha chegada, esses cinco irmãos se dispuseram, com a ajuda de Tupiniquins amigos, a construir em Bertioga uma fortificação no estilo dos selvagens para proteger-se dos inimigos, e levaram seu intento adiante. Também alguns portugueses tinham-se estabelecido entre eles, pois a terra era boa.
Pintam, ainda, um braço de preto e o outro de vermelho.
Mas não adiantou nada. Tiraram-no da cabana do chefe Guaratinga, e dois deles seguraram-no, pois ele estava tão doente que não percebia o que pretendiam fazer com ele. O homem a quem foi dada a incumbência de matá-lo avançou e desferiu-lhe um golpe na cabeça de forma que os miolos saltaram para fora. Depois deixaram-no em frente à cabana e quiseram comê-lo. Adverti-os de que não o fizessem, pois era um homem doente e eles poderiam ficar igualmente doentes. Aí não souberam o que fazer, até que veio um homem da minha cabana e disse às mulheres que fizessem uma fogueira junto ao morto. Ele cortou-lhe a cabeça, pois o Carijó só tinha um olho e, devido à doença que o acometeu, tinha péssima aparência. Jogou a cabeça fora e fez chamuscar o corpo sobre a fogueira para que a pele se desprendesse. Depois retalhou-o e dividiu os pedaços em partes iguais com os outros, como é costume entre eles. Eles o comeram com exceção da cabeça e das tripas, de que tiveram náusea, pois estava enfermo.
parte Conteúdo do livro 1.
Contaram-me, por outro lado, como os Carajás, uma tribo vizinha que vive no interior, distante do mar, extraem o sal das palmeiras e o comem. No entanto, quem tem o hábito de comê-lo em grande quantidade não vive muito tempo.
Com freqüência, também vem gente que mora longe do mar e que pesca muitos peixes, torra-os no fogo, tritura-os, faz farinha e a seca bem para que se conserve bastante. Eles a levam para casa e a comem misturada com farinha de mandioca.
perto deles, na serra, vivem os Guaianás, e, entre estes, vive mais uma tribo, a dos Maracajás, que os perseguem continuamente. Todas estas tribos guerreiam entre si, e quando alguém captura um inimigo, ele é comido.