Na economia, as diversas correntes tem origem em dois ramos filosóficos principais, o cartesiano e o hegeliano.
O primeiro ramo é a racionalidade que vem de Descartes (1596-1650) e Hobbes (1588-1679), onde o pensamento e a razão são colocados como sendo a racionalidade do indivíduo, que por sua vez é garantido contra a dominação de outro indivíduo pelo contrato social. É principalmente a partir da racionalidade do sujeito cartesiano, que solitariamente examina o objeto, que são derivados os agentes deste ramo econômico, como o homo economicus (economia neoclássica), o homo agens (economia austríaca), e a racionalidade limitada de Simon, a qual dá origem ao homem administrativo e a Nova Economia Institucional (NEI). Neste último caso, a racionalidade é limitada pelo desconhecimento dos custos de transação, o que levaria ao oportunismo.
O segundo ramo é a luta e confronto, que se origina a partir de Hegel (1770-1831), na dialética do senhor e do escravo, onde o principal motivo para o comportamento humano não é a razão, mas o desejo de reconhecimento social. Marx (1818-1883) passou a dominação hegeliana para a economia, como a luta de classes, onde os agentes são o capitalista e o proletário.
No entanto, no século 20 surge a teoria dos jogos, que examina a relação entre o "ego" e o "outro". Embora seus criadores (Neumann e Morgenstern) tivessem percebido que esta teoria era uma nova forma de modelar a economia, eles não perceberam que era de fato uma mudança de paradigma filosófico, porque na teoria dos jogos, o confronto (a luta) e a racionalidade (o contrato), existem simultaneamente, unindo os dois ramos econômicos acima mencionados.
Epistemologicamente, a mudança é de uma psicologia do agente, que explica seu comportamento em uma determinada situação, para a psicanálise, que explica o funcionamento da mente racional como sendo guiada pelo desejo. Assim, combinando a psicanálise inspirado em Lacan, com o retorno a Hegel, o qual é necessário para criar a história das leis da psique, os agentes econômicos aparecem como sendo o senhor perverso, o escravo neurótico, e a mulher.
Com esta mudança de agente requerido pela teoria dos jogos, é necessário rever o pressuposto neoclássico de desejos e necessidades ilimitadas, para a ideia de que as necessidades são limitadas, mas é o desejo de reconhecimento social, assumindo a forma primitiva de dominação, que torna impossível a redistribuição de renda, necessária devido ao aumento da abundância e do desemprego ocasionado pela mudança tecnológica. Sem essa redistribuição, a extrema desigualdade provoca no equilíbrio geral neoclássico uma zona de violência, máfias, precarização do trabalho, e perversão das leis sociais na forma de conluios, quando o grande perverso inconscientemente deseja se tornar o pai tirânico da horda primitiva freudiana, impondo a sua lei no lugar da lei social estabelecida na cultura, assim como Hitler e Stalin fizeram.
O primeiro volume consiste de dois capítulos. No primeiro deles é analisada uma situação econômica em que a perversão das leis sociais, como a evasão fiscal, aparece no dilema do prisioneiro da teoria dos jogos como sendo um caso de dominação, em um resultado pior do que o resultado não cooperativo. Devido a este dilema, e também devido à insegurança no trabalho causado pelo desenvolvimento tecnológico, a sociedade leva tempo para entender a evolução das leis sociais, e aumentar a participação da renda redistribuída por transferências.
O segundo capítulo começa por explicar o sujeito lacaniano-hegeliano do primeiro artigo, mostrando o jogo de sapo e do escorpião, o qual coloca seus jogadores no campo da psicanálise. Em um segundo momento é explicado como o inconsciente é formado na infância, sob a nova hipótese de que a função deste inconsciente é transformar emoções em comportamento simbólico racional no mundo dos objetos.
Economia e Ciências Sociais Evolutivas – volume 1: depois da influência de Lacan e do retorno a Hegel
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