No livro ?Existe mulher honesta?? Lucila Maiorino Darrigo lança uma visão psicanalítica sobre o feminino na obra de Nelson Rodrigues. A maneira de Nelson colocar a mulher em suas histórias, sempre o eixo da narrativa, deixa evidente a fascinação do autor pelo sexo oposto. Entretanto, esta admiração sobrevive numa relação intensa, algumas vezes conturbada, outras polêmicas: a todo instante ocorre um choque entre o que é a mulher, e como ela é vista pela sociedade.
Na realidade, Lucila demonstra que Nelson transcende a situação da mulher na sociedade carioca de sua época; ele, não apenas antecipa a liberdade feminina, a luta da mulher contra submissão, mas estabelece o contraponto entre obedecer aos próprios desejos ou aos da sociedade masculina: é a diferença do ser e o que precisa ser.
A narrativa rodrigueana gira em torno da traição, mas a chave deste livro é o fato de que não se trata apenas da traição física homem e mulher, mas é aquela intangível, que se dá na esfera dos sentimentos. A dúvida que Nelson coloca, segundo Lucila, é se a mulher, exemplo de conduta, é verdadeira; se por trás do amor, não há o desejo de morte; se em meio à moral, não habita a hipocrisia; se a aparente pureza não aprisiona a obscenidade; se cada impulso, mesmo que esvaziado, não suscita o sentimento de culpa. Essa nebulosidade, esse desconhecido criado por Nelson na figura da mulher é confrontado, pela autora, com textos de Freud e Lacan; Lucila proporciona um debate entre as idéias das três personalidades sobre a essência da mulher; sobre o momento em que ela deixa de ser menina e decide se trai seus desejos, ou a expectativa do outro.
Ao analisar a obra Dorotéia e contos de A vida como ela é, a autora tira a mulher da visão maniqueísta, da gangorra entre ser vítima ou dominadora, e a coloca numa dimensão mais profunda, no intuito, não somente de responder se ?Existe mulher honesta??, mas de compreender o comportamento e a essência do feminino.
A escrita de Lucila Darrigo contém virtudes especialmente relevantes em se tratando de alguém que tem o trabalho de Lacan como referência: o texto é claro sem ser insípido, denso sem ser impenetrável, incisivo sem ser dogmático. Sem justificar a polêmica noção de ?escrita feminina? acompanhamos neste livro a prática de um estilo que não se explicita em um metadiscurso. É um estilo algo ?cubista? de narrativa, pois sobrepõe perspectivas ao longo dos capítulos sem que elas pareçam, ao final, desarticuladas. Escrita provocativa, ambígua e irônica. Não levanta teses e nem as demonstra para agradar o paladar universitário, mas as explicita sob forma de perguntas retóricas, deixando sempre a dúvida para o leitor: é isso que ela pensa mesmo? Estou diante de uma autora ?honesta??
Na realidade, Lucila demonstra que Nelson transcende a situação da mulher na sociedade carioca de sua época; ele, não apenas antecipa a liberdade feminina, a luta da mulher contra submissão, mas estabelece o contraponto entre obedecer aos próprios desejos ou aos da sociedade masculina: é a diferença do ser e o que precisa ser.
A narrativa rodrigueana gira em torno da traição, mas a chave deste livro é o fato de que não se trata apenas da traição física homem e mulher, mas é aquela intangível, que se dá na esfera dos sentimentos. A dúvida que Nelson coloca, segundo Lucila, é se a mulher, exemplo de conduta, é verdadeira; se por trás do amor, não há o desejo de morte; se em meio à moral, não habita a hipocrisia; se a aparente pureza não aprisiona a obscenidade; se cada impulso, mesmo que esvaziado, não suscita o sentimento de culpa. Essa nebulosidade, esse desconhecido criado por Nelson na figura da mulher é confrontado, pela autora, com textos de Freud e Lacan; Lucila proporciona um debate entre as idéias das três personalidades sobre a essência da mulher; sobre o momento em que ela deixa de ser menina e decide se trai seus desejos, ou a expectativa do outro.
Ao analisar a obra Dorotéia e contos de A vida como ela é, a autora tira a mulher da visão maniqueísta, da gangorra entre ser vítima ou dominadora, e a coloca numa dimensão mais profunda, no intuito, não somente de responder se ?Existe mulher honesta??, mas de compreender o comportamento e a essência do feminino.
A escrita de Lucila Darrigo contém virtudes especialmente relevantes em se tratando de alguém que tem o trabalho de Lacan como referência: o texto é claro sem ser insípido, denso sem ser impenetrável, incisivo sem ser dogmático. Sem justificar a polêmica noção de ?escrita feminina? acompanhamos neste livro a prática de um estilo que não se explicita em um metadiscurso. É um estilo algo ?cubista? de narrativa, pois sobrepõe perspectivas ao longo dos capítulos sem que elas pareçam, ao final, desarticuladas. Escrita provocativa, ambígua e irônica. Não levanta teses e nem as demonstra para agradar o paladar universitário, mas as explicita sob forma de perguntas retóricas, deixando sempre a dúvida para o leitor: é isso que ela pensa mesmo? Estou diante de uma autora ?honesta??