“Eu estava em minha primeira passagem por Brasília, durante o Curso de Formação do concurso para o qual havia sido aprovado, quando ouvi a história do Fleury pela primeira vez. Um dos colegas de turma, a Lídia—japonesa muito gente-boa do interior de São Paulo—, foi quem me contou. A cada um de nós era incumbido um estágio em alguma repartição, para aprender mais sobre as rotinas de trabalho e o dia a dia do Órgão. Lídia foi para o Departamento de Administração, onde o Fleury estava, há mais tempo que os outros funcionários. Ele já devia ter os seus sessenta anos; era membro muito antigo da carreira, de antes da Constituição; seu concurso enfrentara contra quinze candidatos por vaga, ou até menos.
Fleury ficou conhecido e digno de nota por causa do experimento que começou a fazer, inicialmente por um ano, mas que à época já durava cinco: decidiu parar de se informar. Deixou de ler jornais, de assistir a programas de notícias na televisão e de acessar qualquer site que pudesse ter alguma matéria sobre algum acontecimento. Também pediu para ninguém conversar sobre tais coisas com ele. Passou a andar com um fone de ouvido para não escutar as conversas paralelas.”
Fleury ficou conhecido e digno de nota por causa do experimento que começou a fazer, inicialmente por um ano, mas que à época já durava cinco: decidiu parar de se informar. Deixou de ler jornais, de assistir a programas de notícias na televisão e de acessar qualquer site que pudesse ter alguma matéria sobre algum acontecimento. Também pediu para ninguém conversar sobre tais coisas com ele. Passou a andar com um fone de ouvido para não escutar as conversas paralelas.”