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    Homens Invisíveis: Relatos de uma humilhação social

    Por Fernando Braga da Costa
    Existem 9 citações disponíveis para Homens Invisíveis: Relatos de uma humilhação social

    Sobre

    São Paulo, Cidade Universitária, ano de 1994.


    Fernando Braga da Costa, aluno do segundo ano do curso de Psicologia da Universidade de São Paulo, tem uma tarefa: acompanhar, por um dia, o cotidiano de um grupo de trabalhadores. Ele escolheu os garis, que todos os dias varrem as calçadas e ruas e esvaziam as lixeiras do campus da maior universidade brasileira. Desde então, há 10 anos, o aluno, hoje psicólogo clínico e doutorando pela mesma universidade, se veste semanalmente de gari para ouvir os relatos de seus companheiros e sentir na pele a humilhação social sofrida por eles. A experiência e as diversas histórias reunidas viraram tema de seu mestrado e chega aos leitores no livro Homens Invisíveis - Relatos de uma humilhação social, publicado pela Editora Globo.

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    Citações de Homens Invisíveis: Relatos de uma humilhação social

    É expressão da desigualdade política, indicando exclusão intersubjetiva de uma classe inteira de homens do âmbito público da iniciativa e da palavra, do âmbito da ação fundadora e do diálogo, do governo da cidade e do governo do trabalho. Constitui, assim, um problema político.

    A humilhação pode ser determinada como cegueira pública, pode ser determinada segundo a experiência de não aparecer como gente estando no meio de gente.

    a invisibilidade pública — espécie de desaparecimento psicossocial de um homem no meio de outros homens.

    A invisibilidade pública, desaparecimento intersubjetivo de um homem no meio de outros homens, é expressão pontiaguda de dois fenômenos psicossociais que assumem caráter crônico nas sociedades capitalistas: humilhação social e reificação.

    valor de troca: tudo passa a contar, primariamente, como mercadoria.

    A humilhação crônica quebra o sentimento de possuir direitos:

    A humilhação é angústia que os escravos conhecem bem, fincada na base de sua submissão instintiva ou maquinal. O escravo sofre várias vezes o golpe físico dos maus-tratos. Sofre continuamente o golpe moral de uma mensagem: “Inferior! Tu não és um de nós, trabalha baixo e sem rir ou olha a vara!”. Desde então, o golpe passa a ser esperado mesmo nas circunstâncias em que não vem ostensivamente. O ambiente político da dominação começa a agir também nas horas de trégua: age por dentro. Para os humilhados, a humilhação é golpe ou é frequentemente sentida como um golpe iminente, sempre a espreitar-lhes, onde quer que estejam, com quem quer que estejam. O sentimento de uma pancada torna-se compulsivo: vira pressentimento.

    Saudosa maloca[28] Adoniran Barbosa Se o senhor não tá lembrado, dá licença de contar Que aqui onde agora está este ardifício alto Era uma casa velha, um palacete abandonado Foi aqui, seu moço, que eu, Mato Grosso e o Joca Construímos nossa maloca Mas um dia, nóis nem pode se alembrar Veio os hómi com as ferramenta O dono mandou derrubar Peguemo tudo as nossas coisa e fumo pro meio da rua apreciar a demolição Que tristeza que eu sentia! Cada tauba que caía doía no coração Mato Grosso quis gritar mas em cima eu falei: — Os hómi tá com a razão. Nóis arranja outro lugar. Só se conformemo quando o Joca falou: — Deus dá o frio conforme o cobertor E hoje nóis pega palha nas grama do jardim. E pra esquecer nóis cantemos assim: — Saudosa maloca. Maloca querida. Dim-dim-donde nóis passemo dias feliz de nossa vida.

    Não é verdade que a iniciativa por defender os apagados sempre dependeu deles e de sua aparição, seu movimento para o centro da cena iluminada?

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