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    Último capítulo

    Por Machado de Assis

    Sobre

    O conto Último Capítulo é o bilhete de um suicida. Narrado em primeira pessoa, Machado de Assis nos traz a figura sombria do bacharel em direito, Matias Deodato de Castro e Melo, de 51 anos de idade, que está prestes a cometer o suicídio, no ano de 1871, e começa a explicar a razão dos termos de seu testamento, no qual dispõe que sejam seus objetos e um casebre que possui vendidos, e o dinheiro revertido na compra de sapatos e botas novas, a serem distribuídos conforme indicação sua. Mais precisamente, Matias Deodato, homem amargurado, que se define como “um grande caipora, o mais caipora de todos os homens”, sintetiza, nas entrelinhas, as agruras de uma vida marcada por reveses que vão desde a infância solitária a uma carreira sem brilhantismo, passando pelo casamento insosso e pela tragédia de um filho tão esperado que nasceu morto, culminando com a descoberta – após a morte da mulher Rufina, vítima de “uma febre perniciosa” –, que ela o traíra com o amigo Gonçalves, confidente e quase compadre. "O caiporismo foi comigo, na garupa do burro, e onde eu me apeei, apeou-se ele também. Vi-lhe o dedo em tudo, nas demandas que não vinham, nas que vinham e valiam pouco ou nada, e nas que, valendo alguma coisa, eram invariavelmente perdidas." Assim, Matias Deodato resume a falta de sorte que o acompanhou por toda a vida, até que, cansado e sem esperança de ser feliz, desiste de viver. E o conto bem poderia chamar-se “O caipora”, não fosse a descoberta que nosso amigo faz enquanto se prepara para o “mergulho na eternidade”. Debruçado na janela, vê passar um homem conhecidamente vítima de vários infortúnios, que segue, no entanto, risonho, contemplando os sapatos de verniz bem talhados, conforme observa nosso caipora. "Ia alegre; via-se lhe no rosto a expressão de bem-aventurança. Evidentemente era feliz; e, talvez, não tivesse almoçado; talvez mesmo não levasse um vintém no bolso. Mas ia feliz, e contemplava as botas (...) nada vale, para ele, um par de botas, comenta ele, concluindo assim que a felicidade é um par de botas." Daí a razão do testamento de Matias Deodato, que acredita, com a ação, fazer um certo número de venturosos, e conclui sua narrativa com a expressão "Eia, caiporas! Que a minha última vontade seja cumprida. Boa noite, e calçai-vos!".
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