Maquiavel
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A ética tradicional possui um lugar importante na política, na medida em que ela conforma os julgamentos dos homens a respeito dos governantes; mas ela não serve, como queriam muitos, de guia universal para sua conduta. A política possui exigências que não podem ser satisfeitas por uma ética voltada à defesa de valores atemporais.
Recorrer ao passado não era para Maquiavel uma maneira de se tornar mais culto ou erudito, mas uma forma de aprender com o exemplo dos que já haviam enfrentado o mesmo problema. O esteio de tal procedimento era a confiança de que a natureza humana é repetitiva e, portanto, pode ser analisada em qualquer tempo com as mesmas ferramentas teóricas.
O segundo argumento de que se serve Maquiavel para fundamentar suas análises, e que complementa o primeiro, é o de que a natureza humana se mantém ao longo do tempo, mas é má.
“Nada é mais constante do que essa verdade: tudo o que existe no mundo tem limites em sua duração.”
A virtú, que ele evita traduzir para o italiano, para não confundi-la com as virtudes cristãs, diz respeito à capacidade do ator político de agir de maneira adequada no momento adequado.
“Não existem nem leis, nem uma Constituição capaz de deter uma corrupção universal.”
“Deve-se aceitar como uma verdade demonstrada que um povo corrompido, que vive sob o jugo de um príncipe, não pode se tornar um povo livre, ainda que o príncipe e toda sua família sejam exterminados.”
“Existe ainda uma verdade mais clara do que o dia: que esses corpos devem morrer se não se renovarem. Ora, essa renovação só ocorre conduzindo-os a seus princípios.”
Maquiavel chega a sugerir que a análise do processo de corrupção pode nos indicar o caminho que, em teoria, deveria salvar os Estados da destruição: “Quando descobrimos que a Constituição de um Estado não serve mais, ela deve ser mudada, de um só golpe ou pouco a pouco.” Ou seja, a observação atenta dos eventos e de suas conseqüências para a vida política permite-nos perceber a inadequação de um dado corpo de leis à situação real pela qual está passando um povo. Desse ponto de vista privilegiado é possível indicar a necessidade de mudança. Mas todo o otimismo sugerido por essas reflexões se esvai no mesmo capítulo XVIII, pois a conclusão de nosso autor não é ambígua: “Ora, um ou outro desses procedimentos é igualmente impossível de ser adotado.” Dizendo de outra maneira, o secretário florentino sugere que é possível para um observador arguto deduzir o estado real de degenerescência do corpo político mas, assim como os médicos que detectam precocemente certas doenças incuráveis nada podem fazer para mudar o destino do paciente, os que descobrem o mal da corrupção não possuem as ferramentas para remediá-lo.