Inspirada em fatos reais, Maribulício apresenta relatos bem humorados de uma senhora idosa, cuja vida é transformada a partir da amizade com uma estelionatária também idosa. Assim, o romance conta a história de quatro mulheres típicas da chamada “terceira idade” que são envolvidas em uma vida de crimes e falcatruas, em que a imagem característica e estereotipada das vovozinhas tímidas e recatadas é completamente desfeita. Célia é quem relata as trapaças de Gertrudes – a estelionatária – que oferece generosamente uma vida regalada e feliz a suas amigas, resultado do fruto de suas artimanhas. A ânsia de Gerturdes pela vida e por aventuras, sua visão de mundo, sua conduta moral e comportamento alteram drasticamente a noção que temos sobre a velhice como um período da vida mergulhado em inércia, desesperança ou pureza. Maribulício é, portanto, um rebuliço gigantesco de vidas que são totalmente transformadas. O relato das aventuras destas personagens nos cativam não pelo que têm de ideal, mas sim pelo que possuem enquanto seres humanos comuns, cheios de conflitos, desejos e sonhos.
Ambientada no sul do Brasil, a história narrada por Célia, uma dona de casa religiosa, descortina o mundo de uma mulher que já não vê mais sentido em sua rotina entediante de aposentada. O tédio destas senhoras é interrompido por experiências diversas, tais como a falsificação de antiguidades, lavagem de dinheiro, roubo de automóveis, e até mesmo o sexo. Os descaminhos pelos quais percorrem estas senhoras fazem surgir bons frutos, na medida em que novas identidades são forjadas para si mesmas, de modo a criar um outro sentido de vida para pessoas que atingem a velhice.
MARIBULÍCIO
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