Arlindo Caldeira Centro de História de Além-Mar - Universidade Nova de Lisboa No âmbito da colonização portuguesa das ilhas do golfo da Guiné, Ano Bom foi povoada, no séc. XVI, com escravos africanos trazidos do arquipélago de São Tomé e Príncipe e, aparentemente, já aculturados do ponto de vista religioso e linguístico. A presença de europeus foi sempre muito limitada e, no início do séc. XVIII, eclipsa-se completamente, ganhando a população negra uma total autonomia. No aspecto religioso, a assistência do clero \\\"oficial\\\" foi marcada por longas intermitências e quase desaparece entre 1772 e 1883. Não obstante, a população conservou muitos dos rituais católicos, com a particularidade de manter (até hoje) o português como língua litúrgica. Entre as questões que nos interessa analisar estão a da interpretação que, sem a tutela clerical na ilha, acabou por ser feita do catolicismo e a da forma como se dá, ou não, a recuperação de práticas religiosas africanas. Para a sua elucidação, precisamos, no entanto, de ter em conta outro elemento fundamental do universo mental da população anabonense: o medo. Falamos, sobretudo, de medos colectivos, que nos parece estarem na base da rede de comportamentos que caracterizamos como religião popular.
Medo e religião popular na ilha de Ano Bom: uma aproximação histórica (séculos XVI-XIX)
Sobre
Talvez você seja redirecionado para outro site