We love eBooks

    Mr. Peanut

    Por Adam Ross
    Existe 1 citação disponível para Mr. Peanut

    Sobre

    Depois de treze anos de casamento, David Pepin não consegue imaginar a vida sem a esposa, Alice. Ainda assim, David fantasia diariamente a morte da mulher: seja atropelada por um trem ou atingida por um raio, ela sempre morre no final.

    Até que Alice de fato morre, engasgada com um amendoim. A polícia acaba suspeitando de David, e dois detetives são enviados para investigar o caso. O programador reservado, que cria jogos de computador baseados na obra de M. C. Escher, terá sua vida virada do avesso pelos policiais.

    E que casamento resiste a um olhar microscópico? Deprimida, instável e presa em eternas oscilações de peso, Alice vinha se tornando uma estranha ao marido. Conforme a investigação avança, entra em cena um assassino profissional, que pode ou não ter sido contratado por David para matar a mulher.

    Mas a preocupação de Adam Ross em Mr. Peanut não é estritamente detetivesca. Como num labirinto de Escher, essas tramas se encontram e desencontram, apontam caminhos sem saída e voltam ao ponto de início. O que interessa ao autor é captar, com sutileza, humor e verve literária, as vidas encapsuladas nesta tira de Möbius.

    Um dos detetives se encontra em plena guerra particular com a esposa, que há meses se recusa a levantar da cama. O outro investigador, por seu turno, é obrigado a relembrar o assassinato da própria mulher, do qual ele foi o principal suspeito.

    Se há um eixo central em Mr. Peanut, portanto, é a experiência do casamento. Embora as peças desse quebra-cabeças remetam a um ou mais crimes, o quadro que surge ao final é uma visão multifacetada dos relacionamentos, um mosaico magistralmente construído dos pequenos assassinatos que cometemos a dois.

    Baixar eBook Link atualizado em 2017
    Talvez você seja redirecionado para outro site

    Citações de Mr. Peanut

    “É por isso que estou aqui.” Harold ergueu os dois indicadores e pressionou um contra o outro, de lado. “É uma condição, David, semelhante ao choque. Uma pessoa é atingida por um desastre no ar, em meio a uma viagem entre dois pontos. É um tipo muito particular de trauma. Por dois motivos. Primeiro vem o ato de fé inicial envolvido em qualquer voo—a coisa óbvia que todos ignoramos para conseguirmos embarcar. Voando a nove mil metros de altura, nosso cérebro reptiliano sabe que corre risco de vida. Em segundo lugar, por viajarmos a velocidades tão espantosas e utilizando sistemas e rotas tão complexos, se qualquer coisa interromper as conexões exigidas para que nos movamos entre um ponto e outro, se de qualquer maneira formos retirados dessa sequência de partida e chegada, nossa sensação de segurança mais fundamental escapa de nosso alcance como se tivesse explodido. As consequências psicológicas e espirituais de um evento como esse podem ser devastadoras.” David conseguiu olhar para cima, e os olhos de Harold eram azuis e consoladores. “Alguma coisa acontece entre dois pontos”, ele prosseguiu, “alguma coisa em pleno ar, e é como se nossas vidas tivessem sido alvejadas em pleno voo, como aconteceu com Fáeton. Sofremos uma espécie de obliteração. A féqualquer sensação de confiança—é expulsa da alma. Recursos e juízo somem da mente. A confiança desaparece da coluna. A felicidade, do coração. E a coragem é eliminada do próprio âmago do ser. Tantas coisas essenciais são arrancadas e despencam aos pedaços deixando em seu rastro trilhas de fumaça ao se afastarem do ponto de impacto, que seria razoável pensar que se trata de uma calamidade permanente.

    Relacionados com esse eBook

    Navegar por coleções