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    Nêmesis

    Por Philip Roth
    Existem 8 citações disponíveis para Nêmesis

    Sobre

    Aos 23 anos, Eugene ?Bucky? Cantor, professor de educação física e inspetor de pátio de uma escola judaica de Newark, vive uma vida pacata, porém é atormentado pelo fato de não poder lutar na guerra ao lado de seus contemporâneos, em razão de sua miopia fortíssima. Tudo muda num dia de verão de 1944, quando um grupo de adolescentes encrenqueiros de ascendência italiana aparece no colégio e cospe no chão, ameaçando a todos com uma doença terrível. Logo depois do incidente, vários alunos contraem poliomielite, para desespero do professor.

    Esse é o ponto de partida de Nêmesis. Embora hoje seja muito raro alguém morrer de pólio, até o início da década de 1950 a doença era praticamente fatal. Implacável, chegou inclusive a vitimar o presidente americano Franklin D. Roosevelt, mas atingia sobretudo crianças. Quando não levavam à morte, os efeitos eram devastadores, entre eles a paralisia nos membros e a dificuldade extrema para respirar, a ponto de obrigar os pacientes a utilizarem os temidos ?pulmões de aço?.

    Conforme a enfermidade se espalha, Bucky Cantor começa a temer que tenha alguma culpa no contágio das crianças. Sofre ainda com o pavor de que ele próprio possa contrair a doença e ver uma vida atlética tão promissora terminar naquela ?caixa da qual ninguém pode escapar, por mais forte que seja?. E, em especial, dedica horas e horas questionando-se por que Deus permitiu que a poliomielite existisse, sem nunca conseguir se conformar com as respostas. ?O que é que Ele estava tentando provar? Que precisamos ter aleijados na Terra??, pergunta. Tomado pelo sentimento de culpa, Cantor deixa Newark e vai atrás da namorada em uma colônia de férias nas montanhas Pocono, tentando escapar da pólio.

    Nêmesis integra uma tetralogia de novelas formada também por Homem comum, Indignação e A humilhação. Trata-se de mais um exemplo sintomático da intensidade da produção de Philip Roth, que volta a estimular, com doses altas de melancolia, o embate entre o protagonista e sua própria finitude. Na escrita poderosa de Roth, há poucas chances de o herói sair vitorioso.

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    Citações de Nêmesis

    Tudo que fizer jamais irá corresponder ao ideal que carrega dentro de si. Nunca sabe onde termina sua responsabilidade. Jamais aceita seus limites porque, sobrecarregado com uma severa bondade natural que não lhe permite resignar-se ao sofrimento dos outros, nunca admitirá, sem se sentir culpado, que possa estar sujeito a alguma limitação.

    Esperemos que o Deus piedoso que eles tanto veneram tenha lhes concedido todas essas graças antes de enfiar Seu punhal nas costas deles.”

    Era impossível acreditar que Alan estivesse dentro daquela caixa de tábuas de pinho pálido e sem adornos só por ter pegado uma doença de verão. Aquela caixa da qual ninguém pode escapar por mais forte que seja. Aquela caixa em que um garoto de doze anos ficava com doze anos para sempre. Nós todos vivemos e envelhecemos a cada dia, porém ele permanece com doze anos. Milhões de anos se passam, mas ele tem ainda doze anos.

    “Eu queria ajudar as crianças e fazê-las fortes”, disse por fim, “e, em vez disso, lhes causei um mal irreversível.”

    “Podemos ser juízes muito severos de nós mesmos quando não há motivo para isso. O senso de responsabilidade mal orientado pode ser uma coisa bem debilitante”.

    E pouco a pouco a pólio deixou de ser o único drama, fui perdendo o hábito de me queixar do destino. Entendi que na Weequahic de 1944 eu vivera durante todo o verão uma tragédia social que não precisava ser também uma tragédia pessoal pelo resto da vida.

    “Peguei a doença quando ainda era criança. Eu tinha doze anos, mais ou menos metade da sua idade. Fiquei no hospital quase um ano. Era o mais velho na enfermaria, cercado de garotinhos que choravam e pediam aos gritos pelos pais — dia e noite esses meninos procuravam em vão por um rosto conhecido. Não eram os únicos a se sentir abandonados. O que não faltava ali era medo e desespero. E muita amargura de crescer com um par de palitos como pernas. Durante anos, de noite, na cama, eu conversava com meus membros, sussurrando: ‘Mexam-se! Mexam-se!’. Como perdi um ano do curso primário, ao voltar já não encontrei minha turma e meus colegas. No ginasial, sofri um bocado. As garotas sentiam pena de mim, os garotos me evitavam. Ficava sempre sentado nas margens do campo, sorumbático. A vida do lado de fora do campo é a garantia de uma adolescência dolorosa. Queria andar como todos os outros. Vendo os que não haviam sido arruinados jogando bola depois das aulas, eu queria berrar: ‘Também tenho o direito de correr!’. Eu era constantemente dilacerado pelo pensamento de que, por um nada, tudo poderia ter sido diferente. Durante certo tempo não queria mesmo ir à escola — não queria ser lembrado o dia inteiro de como eram as pessoas da minha idade e de tudo que elas podiam fazer. Eu só queria uma coisinha muito simples: ser igual aos outros. Você conhece a situação”, eu lhe disse. “Nunca serei o que fui no passado. Pelo contrário, vou ser isso pelo resto da vida. Nunca vou saber o que é a alegria outra vez.”

    E, tendo filhos para criar, você começa a esquecer as cartas que lhe foram distribuídas no jogo.”

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