Este conto, além de relatar um evento particular, constitui um caso exemplar do que seriam as limitações da felicidade humana ou a lógica caprichosa do destino. Os relatos de Cícero são exemplos de situações diversas: desapego em relação aos bens materiais e ironia diante das pequenas mentiras da vida cotidiana.
O autor também neste conto soube apropriar-se habilmente do mito para a elaboração de um texto que exprime elementos de sua própria cultura, pela re-significação dos referenciais diegéticos, em geral a serviço da crítica à sociedade de classes de então.
Neste conto o literato verborrágico retorna sob a máscara daquele Xavier – “uma cachoeira de idéias e imagens”, que “era um saco de espantos” e provocava vertigens em “quem conversava com ele”. Inventor de uma fórmula banal de embuste, “a vida é um cavalo xucro ou manhoso; quem não for bom cavaleiro que o pareça”, Xavier assiste à reprodução e disseminação de sua pobre idéia que faz sucesso nas confidências de amigos, à mesa de restaurantes e nos palcos da cidade.
O anel de Polícrates
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