"PERSONAGENS:
Tomé
Um relógio na parede
Elisa, sua mulher
O nariz de Tomé
Um caixeiro
CENA PRIMEIRA: TOMÉ, ELISA (entra vestida)
TOMÉ ? Vou mandar à cidade o Chico ou o José.
ELISA ? Para... ?
TOMÉ ? Para comprar um bote de rapé.
ELISA ? Vou eu.
TOMÉ ? Tu?
ELISA ? Sim. Preciso escolher a cambraia,
A renda, o gorgorão e os galões para a saia,
Cinco rosas da China em casa da Natté,
Um par de luvas, um peignoir e um plissé,
Ver o vestido azul, e um véu... Que mais? Mais nada.
TOMÉ ? (rindo)
Dize logo que vás buscar se uma assentada
Tudo quanto possui a Rua do Ouvidor.
Pois aceito, meu anjo, esse imenso favor.
ELISA ? Nada mais? Um chapéu? Uma bengala? Um fraque?
Que te leve um recado ao Dr. Burlamaque?
Charutos? Algum livro? Aproveita, Tomé!
TOMÉ ? Nada mais; só preciso o bote de rapé...
ELISA ? Um bote de rapé! Tu bem sabes que a tua Elisa...
TOMÉ ? Estou doente e não posso ir à rua.
Esta asma infernal que me persegue... Vês?
Melhor fora matá-la e morrer de uma vez,
Do que viver assim com tanta cataplasma.
E inda há pior do que isso! inda pior que a asma:
Tenho a caixa vazia.
ELISA (rindo) ? Oh! se pudesse estar
Vazia para sempre, e acabar, acabar
Esse vício tão feio! Antes fumasse, antes.
Há vícios jarretões e vícios elegantes.
O charuto é bom tom, aromatiza, influi
Na digestão, e até dizem que restitui
A paz ao coração e dá risonho aspecto. "
Tomé
Um relógio na parede
Elisa, sua mulher
O nariz de Tomé
Um caixeiro
CENA PRIMEIRA: TOMÉ, ELISA (entra vestida)
TOMÉ ? Vou mandar à cidade o Chico ou o José.
ELISA ? Para... ?
TOMÉ ? Para comprar um bote de rapé.
ELISA ? Vou eu.
TOMÉ ? Tu?
ELISA ? Sim. Preciso escolher a cambraia,
A renda, o gorgorão e os galões para a saia,
Cinco rosas da China em casa da Natté,
Um par de luvas, um peignoir e um plissé,
Ver o vestido azul, e um véu... Que mais? Mais nada.
TOMÉ ? (rindo)
Dize logo que vás buscar se uma assentada
Tudo quanto possui a Rua do Ouvidor.
Pois aceito, meu anjo, esse imenso favor.
ELISA ? Nada mais? Um chapéu? Uma bengala? Um fraque?
Que te leve um recado ao Dr. Burlamaque?
Charutos? Algum livro? Aproveita, Tomé!
TOMÉ ? Nada mais; só preciso o bote de rapé...
ELISA ? Um bote de rapé! Tu bem sabes que a tua Elisa...
TOMÉ ? Estou doente e não posso ir à rua.
Esta asma infernal que me persegue... Vês?
Melhor fora matá-la e morrer de uma vez,
Do que viver assim com tanta cataplasma.
E inda há pior do que isso! inda pior que a asma:
Tenho a caixa vazia.
ELISA (rindo) ? Oh! se pudesse estar
Vazia para sempre, e acabar, acabar
Esse vício tão feio! Antes fumasse, antes.
Há vícios jarretões e vícios elegantes.
O charuto é bom tom, aromatiza, influi
Na digestão, e até dizem que restitui
A paz ao coração e dá risonho aspecto. "