Regina Célia Gonçalves Universidade de São Paulo A elite política da Capitania Real da Paraíba formou-se na guerra da conquista, travada desde meados do século XVI, contra os Potiguara e os franceses. Enraizados em Pernambuco, os conquistadores receberam a mercê da terra e implantaram a economia açucareira, impondo a ordem colonial. Nas décadas seguintes à ocupação inicial, as famílias que detinham o poder em Itamaracá e Pernambuco, passaram a detê-lo na Paraíba e os conflitos com as autoridades régias não tardaram a acontecer. Através do estudo do caso que, em 1616, envolveu o Capitão-Mor da Paraíba, João Rebello, um dos primeiros a ser nomeado para o cargo sem ter vínculos directos com os conquistadores vindos de Pernambuco, e Duarte da Silveira, representante da açucarocracia local e o mais poderoso senhor de engenho da Paraíba, acusado, pelo primeiro, de ter defraudado a Fazenda Real, torna-se possível perceber a dinâmica e o teor desses conflitos que marcaram as relações e as práticas da vida política na colónia, opondo os interesses locais, os da Coroa e os dos seus representantes.
O capitão-mor e o senhor de engenho: Conflitos entre um burocrata do rei e um «nobre da terra» […]
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