Luís Frederico Dias Antunes Departamento de Ciências Humanas - Instituto de Investigação Científica Tropical Como é sabido a economia moçambicana setecentista foi dominada pela elite comercial baneane oriunda do Guzerate. Este corpo mercantil indiano, altamente especializado, encontrava-se organizado na Mazania, uma estrutura de casta, fortemente marcada por preceitos religiosos, que decidia sobre os aspectos mais importantes da actividade económica e da vida social da comunidade. Pelo contrário, os comerciantes portugueses envolvidos no tráfico transoceânico de escravos para as Américas só no último quartel do século XVIII sentiram necessidade de actuar em sociedade. O objectivo principal deste artigo será, assim, o de perceber a génese do pequeno corpo mercantil europeu em Moçambique. Tentaremos, por isso, conhecer as razões políticas e económicas que determinaram e facilitaram a sua organização, e procuraremos perceber como se estabeleceu uma longa e complexa rede de relações comerciais, qual o peso da crescente pressão do mercado atlântico, quais as alterações ocorridas na natureza das mercadorias africanas mais exportadas e, finalmente, qual a intensificação do tráfico negreiro na costa oriental africana.
O comércio com o Brasil e a comunidade mercantil em Moçambique (séc. XVIII)
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