O Guardador de Rebanhos (1914) (Poemas de Alberto Caeiro)
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É noite. A noite é muito escura. Numa casa a uma grande distância Brilha a luz duma janela. Vejo-a, e sinto-me humano dos pés à cabeça. É curioso que toda a vida do indivíduo que ali mora, e que não sei quem é, Atrai-me só por essa luz vista de longe. Sem dúvida que a vida dele é real e ele tem cara, gestos, família e profissão. Mas agora só me importa a luz da janela dele. Apesar de a luz estar ali por ele a ter acendido, A luz é a realidade imediata para mim. Eu nunca passo para além da realidade imediata. Para além da realidade imediata não há nada. Se eu, de onde estou, só vejo aquela luz, Em relação à distância onde estou há só aquela luz. O homem e a família dele são reais do lado de lá da janela. Eu estou do lado de cá, a uma grande distância. A luz apagou-se. Que me importa que o homem continue a existir?
quem ama nunca sabe o que ama Nem sabe por que ama, nem o que é amar … Amar é a eterna inocência,
Porque o único sentido oculto das cousas É elas não terem sentido oculto nenhum, É mais estranho do que todas as estranhezas E do que os sonhos de todos os poetas E os pensamentos de todos os filósofos, Que as cousas sejam realmente o que parecem ser E não haja nada que compreender.
VI – Pensar em Deus Pensar em Deus é desobedecer a Deus, Porque Deus quis que o não conhecêssemos, Por isso se nos não mostrou… Sejamos simples e calmos, Como os regatos e as árvores, E Deus amar-nos-á fazendo de nós Belos como as árvores e os regatos, E dar-nos-á verdor na sua primavera, E um rio aonde ir ter quando acabemos! …
Leve Leve, leve, muito leve, Um vento muito leve passa, E vai-se, sempre muito leve. E eu não sei o que penso Nem procuro sabê-lo.
Pensar incomoda como andar à chuva Quando o vento cresce e parece que chove mais.
Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo…
Passo e fico, como o Universo.
Bendito seja o mesmo sol de outras terras Bendito seja o mesmo sol de outras terras Que faz meus irmãos todos os homens Porque todos os homens, um momento no dia, o olham como eu, E nesse puro momento Todo limpo e sensível Regressam lacrimosamente E com um suspiro que mal sentem Ao Homem verdadeiro e primitivo Que via o Sol nascer e ainda o não adorava. Porque isso é natural — mais natural Que adorar o ouro e Deus E a arte e a moral… s.d.
quem ama nunca sabe o que ama Nem sabe por que ama, nem o que é amar … Amar é a eterna inocência,
Leve Leve, leve, muito leve, Um vento muito leve passa, E vai-se, sempre muito leve. E eu não sei o que penso Nem procuro sabê-lo.
Porque o único sentido oculto das cousas É elas não terem sentido oculto nenhum, É mais estranho do que todas as estranhezas E do que os sonhos de todos os poetas E os pensamentos de todos os filósofos, Que as cousas sejam realmente o que parecem ser E não haja nada que compreender.
Pensar incomoda como andar à chuva Quando o vento cresce e parece que chove mais.
VI – Pensar em Deus Pensar em Deus é desobedecer a Deus, Porque Deus quis que o não conhecêssemos, Por isso se nos não mostrou… Sejamos simples e calmos, Como os regatos e as árvores, E Deus amar-nos-á fazendo de nós Belos como as árvores e os regatos, E dar-nos-á verdor na sua primavera, E um rio aonde ir ter quando acabemos! …
Bendito seja o mesmo sol de outras terras Bendito seja o mesmo sol de outras terras Que faz meus irmãos todos os homens Porque todos os homens, um momento no dia, o olham como eu, E nesse puro momento Todo limpo e sensível Regressam lacrimosamente E com um suspiro que mal sentem Ao Homem verdadeiro e primitivo Que via o Sol nascer e ainda o não adorava. Porque isso é natural — mais natural Que adorar o ouro e Deus E a arte e a moral… s.d.
Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo…
Passo e fico, como o Universo.