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    O olho da rua

    Por Eliane Brum
    Existem 11 citações disponíveis para O olho da rua

    Sobre

    Se fosse apenas uma coletânea de reportagens, O olho da rua ? uma repórter em busca da literatura da vida real seria uma viagem vertiginosa por um Brasil desconhecido mesmo quando está logo ali, virando a esquina. Com 20 anos de jornalismo, a gaúcha Eliane Brum tornou-se conhecida por um olhar original sobre a realidade, que carrega o leitor para as camadas ocultas pela banalidade cotidiana. As dez reportagens escolhidas ? cinco delas urbanas, quatro na Amazônia e uma sobre a geografia íntima da autora ? revelam as qualidades que deram à jornalista quase 40 prêmios de reportagem no Brasil e no exterior: um ângulo sempre surpreendente, a apuração rigorosa e uma narrativa tão rica em detalhes que o leitor a lê com o prazer de uma ficção.

    O percurso começa por um nascimento nos confins da Amazônia, pelas mãos de parteiras da floresta, e se encerra com uma morte em São Paulo, quando Eliane testemunha os últimos 115 dias de vida de uma merendeira de escola. Pelo caminho, o leitor descobre o Povo do Meio, um punhado de brasileiros desconhecidos do próprio Brasil. Enreda-se nos romances arrojados dos vira-latas da Brasilândia. É apresentado às putas que gozam do garimpo do Zé Capeta. E embarca numa espantosa viagem pelo interior do corpo da jornalista, entre outras histórias extraordinárias.

    A narrativa da vida real de Eliane Brum, marcada pela delicadeza mesmo nos temas mais duros, captura a atenção do leitor na primeira frase e o leva até o ponto final. Mas, em seu terceiro livro, Eliane vai ainda mais além. Ela faz também uma reflexão sobre o ofício de repórter. E o faz com a sinceridade (e um certo despudor) que caracteriza sua prosa. Para cada reportagem, a jornalista escreveu um texto inédito sobre os dilemas que enfrentou, as escolhas que fez e os erros que cometeu. O resultado é uma análise profunda do exercício do jornalismo, feita por uma repórter conhecida pela ousadia de seus temas.

    O olho da rua revela-se uma leitura deliciosa para todos aqueles que gostam de boas histórias e não temem o absurdo da realidade. E uma aula de jornalismo para quem quer se tornar repórter ? ou mesmo para quem já é, mas acredita que a prática da profissão exige reflexão constante.
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    Citações de O olho da rua

    “Esta vida é uma estranha hospedaria, de onde se parte quase sempre às tontas, pois nunca as nossas malas estão prontas, e a nossa conta nunca está em dia”.

    Zeus, na mitologia grega, compadeceu-se do pranto de Níobe, cujos sete filhos e sete filhas foram mortos. Na lenda ele transformou aquela mãe numa rocha que verte água. Foi a forma encontrada pelos antigos para representar a dor sem nome. Mães que perdem filhos assassinados são pedras que choram.

    Escutar de verdade é mais do que ouvir. Escutar abarca a apreensão do ritmo, do tom, da espessura das palavras – e do silêncio. Escutar é também não interromper as pessoas quando elas não falam na velocidade que a gente gostaria ou com a clareza que a gente desejaria e, principalmente, quando elas não dizem o que a gente pensava que diriam. Escutar é não induzir as pessoas a dizer o que gostaríamos que dissessem.

    Inventaram a expressão “casa de repouso” para abrigar velhos supostamente cansados da vida quando é o mundo que se cansou deles.

    “Muito jornalista experiente escorrega porque presume demais. E presume a partir de seus preconceitos, de sua visão de mundo, de sua vida cotidiana numa realidade muito diferente… A vida sempre fica mais fácil quando reduzida a um ponto de vista que nos coloca como civilizados em contraposição ao outro – sempre frio, sujo, malvado e ignorante.”

    Tem mais rugas no rosto do que a noite tem estrelas. Risonha como ela só, quando abre a boca parece que vai se desprender um pedaço do mundo. Não é que Jovelina seja exatamente feliz, apenas ri porque decidiu não ficar triste. Jovelina é assim. De uma simplicidade complexa.

    Acho que há excesso de palavras faladas no mundo porque as pessoas temem se ouvir, caso silenciem.

    Apurar por e-mail, por telefone, por intercâmbios eletrônicos de informação, além de excluir da pesquisa a maioria da população, que não tem acesso a essas tecnologias, elimina o melhor da prática jornalística: ouvir de perto, ao vivo, de preferência com os pés envolvidos “na lama dos acontecimentos”. A reportagem é a arte da escuta.

    Sou alguém que tenta viver duvidando o tempo todo das certezas, das minhas e das alheias. E por isso estou sempre em carne viva. Neste livro, como na vida, tudo o que tenho a oferecer sou eu mesma. Espero que seja suficiente.

    Apurar por e-mail, por telefone, por intercâmbios eletrônicos de informação, além de excluir da pesquisa a maioria da população, que não tem acesso a essas tecnologias, elimina o melhor da prática jornalística: ouvir de perto, ao vivo, de preferência com os pés envolvidos “na lama dos acontecimentos”.

    Toda reportagem tem seu tempo, a hora de acontecer. Às vezes, não dá jeito. Se um avião cai, a gente faz o que o prazo permite, e a revista desembarca na banca com a melhor reportagem possível sobre o assunto da semana. Mas numa reportagem sobre parteiras é preciso respeitar o tempo do parto.

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