O percurso começa por um nascimento nos confins da Amazônia, pelas mãos de parteiras da floresta, e se encerra com uma morte em São Paulo, quando Eliane testemunha os últimos 115 dias de vida de uma merendeira de escola. Pelo caminho, o leitor descobre o Povo do Meio, um punhado de brasileiros desconhecidos do próprio Brasil. Enreda-se nos romances arrojados dos vira-latas da Brasilândia. É apresentado às putas que gozam do garimpo do Zé Capeta. E embarca numa espantosa viagem pelo interior do corpo da jornalista, entre outras histórias extraordinárias.
A narrativa da vida real de Eliane Brum, marcada pela delicadeza mesmo nos temas mais duros, captura a atenção do leitor na primeira frase e o leva até o ponto final. Mas, em seu terceiro livro, Eliane vai ainda mais além. Ela faz também uma reflexão sobre o ofício de repórter. E o faz com a sinceridade (e um certo despudor) que caracteriza sua prosa. Para cada reportagem, a jornalista escreveu um texto inédito sobre os dilemas que enfrentou, as escolhas que fez e os erros que cometeu. O resultado é uma análise profunda do exercício do jornalismo, feita por uma repórter conhecida pela ousadia de seus temas.
O olho da rua revela-se uma leitura deliciosa para todos aqueles que gostam de boas histórias e não temem o absurdo da realidade. E uma aula de jornalismo para quem quer se tornar repórter ? ou mesmo para quem já é, mas acredita que a prática da profissão exige reflexão constante.