Augusto António Alves Salgado Academia da Marinha Mesmo após a descoberta do caminho marítimo para a Índia, o Atlântico continuou a ser fundamental para a Coroa portuguesa, pois era por este mar Oceano que todas as armadas percorriam, quer viessem do Oriente, quer do Brasil. Talvez, por essa razão, fosse também, no século XVI e até meados do século XVII, a zona de actuação preferida de piratas e corsários e onde, até ao século XIX, as forças navais europeias desempenharam um importantíssimo papel nos grandes conflitos europeus. Contudo, e apesar de ter bons conhecimentos técnico-navais, Portugal nunca tentou exercer o efectivo controlo marítimo desta área oceânica, como o fez no Índico no século XVI. Nunca deixou, porém, de enviar diversas forças navais portugueses, com carácter regular ou não, nesse período. Segundo algumas correntes historiográficas, os principais acontecimentos que impediram que a Coroa de Portugal tentasse efectuar esse controlo do espaço marítimo e, consequentemente, deixasse de ser considerada uma potência marítima europeia foram o fim da sua marinha de guerra durante o denominado período filipino e, posteriormente, a aliança mantida com Inglaterra. Interpretar de uma forma conjunta e global, essas ou outras razões, que levaram Portugal a assumir, propositadamente, segundo a minha opinião, um papel secundário nesses importantes acontecimentos que tiveram o Atlântico como teatro de operações, nos séculos XVII a XIX, com base nos acontecimentos navais, nos meios e organização portuguesas, é o objectivo deste estudo.
O poder naval português no Atlântico séculos XVI a XVIII
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