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    Olhai os lírios do campo

    Por Erico Verissimo
    Existem 13 citações disponíveis para Olhai os lírios do campo

    Sobre

    Primeiro best-seller de Erico Verissimo, Olhai os lírios do campo representou uma guinada na carreira literária do escritor. Várias edições se esgotaram em poucos meses. Segundo Erico, o sucesso foi tão grande que "teve a força de arrastar consigo os romances" que publicara antes em modestas tiragens.

    Eugênio Pontes, moço de origem humilde, a custo se forma médico e, graças a um casamento por interesse, ingressa na elite da sociedade. Nesse percurso, porém, é obrigado a virar as costas para a família, deixar de lado antigos ideais humanitários e abandonar a mulher que realmente ama. Sensível, comovente, Olhai os lírios do campo é um convite à reflexão sobre os valores autênticos da vida.

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    Citações de Olhai os lírios do campo

    Eles esquecem o que têm de mais humano e sacrificam o que a vida lhes oferece de melhor: as relações de criatura para criatura. De que serve construir arranha-céus se não há mais almas humanas para morar neles?

    Ser bom e ser forte na bondade, fugir à violência e à ambição desmedida, ter olhos para a profunda beleza das coisas, ser às vezes como uma criança que está a todo o instante redescobrindo o mundo. “A vida começa todos os dias”,

    Estou com sessenta anos, seu moço, e sempre procurei ser um homem decente. Só de funcionalismo público tenho trinta e cinco na cacunda, o senhor veja bem. Podia ser pelo menos chefe de seção. É. Mas não sou. Outros mais novos passaram por cima de mim, subiram e hoje estão ganhando o dobro do que ganho. Isso não é nada. Nunca perdi ponto, só falto ao trabalho por doença grave. Nunca aceitei gorjeta, acho que um funcionário tem obrigação de atender a todos com presteza. Que foi que arranjei com isso? Nada. Os espertos subiram. Eu fiquei. Vá vendo bem. Aqui em casa nunca tenho razão. Procuro ser bom marido, bom pai… mas quem foi que disse que me dão importância? Me censuram porque ganho pouco, porque não me aumentam o ordenado, porque não pego no bico dos chefes. Dizem que não me mexo, que sou um banana, um trouxa, não sei mais o quê… À hora do almoço e do jantar me azucrinam os ouvidos com conversinhas, indiretas, diz que diz ques. Porque a Fulana tem um refrigerador, porque o Sicrano comprou um auto, porque a filha não sei de quem tem um vestido assim ou assado. Um inferno! Metem-se em despesas. Inventam modas e no fim do mês me empurram pra cima do credor e eu é que tenho de inventar desculpas. Me desmoralizam na frente das visitas. Ninguém se lembra que eu ando com as calças lustrosas no traseiro, que trabalho como um burro, que não tenho vícios, que… que… sei lá! Fez uma pausa, suspirou de mansinho e depois, mais calmo: — Pois é. Agora temos o caso da Jandira. A Jandira é uma menina feia e pobre, o senhor decerto viu ela. Não havia jeito de arranjar noivo. Um dia apareceu esse magricela, o seu Licurgo, tuberculoso declarado. Eu fui contra o noivado. O senhor compreende, o rapaz está mal, é doente, ganha pouco. Casam e amanhã ele pega a doença na mulher, os filhos nascem uns chavecos e, adeus, tia Chica! A miséria bate na porta deles. Pois quase me deram bordoada quando eu falei que não queria o casamento. Bom. Isso não é nada. Converso com os meus amigos so

    Só foge da solidão quem tem medo dos próprios pensamentos, das próprias lembranças.

    Tu uma vez comparaste a vida a um transatlântico e te perguntaste a ti mesmo: “Estarei fazendo uma viagem agradável?”. Mas eu te asseguro que o mais decente seria perguntar: “Estarei sendo um bom companheiro de viagem?”.

    E quando o amor ao dinheiro, ao sucesso nos estiver deixando cegos, saibamos fazer pausas para olhar os lírios do campo e as aves do céu.

    Além do mais, tu sabes, gosto da solidão. Ela nos convida a exames de consciência.

    não fomos consultados para vir para este mundo e não seremos consultados quando tivermos de partir.

    Ele se fazia perguntas, que ficavam sem respostas. De que servia matar? Por que existiam homens maus no mundo? Ele não era capaz de arranhar um colega, de jogar pedras nos cachorros; não fazia malvadeza nem com os bichos nem com as pessoas. Doía-lhe ver os outros sofrerem. Tinha horror ao sangue. Como era então que havia no mundo gente que tinha a coragem de apunhalar honrados lavradores como o pobre Ângelo?

    Eu podia ter evitado isso… Seixas olhou-o de soslaio: — Eu não sabia que você era Deus…

    Genoca. É preciso a gente ver primeiro tudo que a vida tem de mau e de sórdido para depois podermos descobrir o que ela tem de belo e de bom, de profundamente bom”.

    Veja o mal que faz às pessoas a falta dum ideal superior, seja ele religioso, artístico ou simplesmente humano. O resultado disso é a corrida para o prazer. Só há um objetivo: gozar. O gozo se compra. Para comprar é preciso dinheiro. O senhor melhor que ninguém sabe que é custoso ganhar dinheiro honestamente. A vida é curta. A mocidade, mais curta ainda. Por isso ninguém mais olha os meios de ganhar dinheiro. Eis a razão por que nós estamos no século do gangsterismo. Fazem-se as maiores bandalheiras, as maiores imoralidades…

    Felicidade é a certeza de que a nossa vida não está se passando inutilmente.

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