Margarida Vaz do Rego Machado Universidade dos Açores
Em 1766, o Estado Português, aproveitando a profunda crise e desorganização da administração açoriana, criava a Capitania-Geral nos Açores, com sede em Angra, que se via, assim, elevada a capital do arquipélago. Esta medida, em plena consonância com os princípios da centralização do poder real, iria modificar todo o governo açoriano, que até então se guiava pelo regime das capitanias. O nosso estudo pressupõe analisar algumas destas reformas, nomeadamente no que concerne aos aspectos económicos e às relações que, estas mesmas reformas, levaram os mercadores de grosso trato açoriano a terem com o poder central. O Capitão-General, tornava-se um dos principais agentes régios, com uma política que pretendia ser de intervenção activa, tentando limitar muitas das prerrogativas do poder local, diminuindo a sua. autonomia. Foi o caso, por exemplo, da regulamentação do comércio de cereais e da garantia do abastecimento público, áreas bem sensíveis aos interesses dos negociantes açorianos. Mas os interesses não se ficavam pelos cereais, o atlântico rasgavas vários rumos no império português e os agentes económicos ilhéus não podiam ficar passivos às várias áreas de captação de investimentos. Que estratégias tomaram ? Falaram a una só voz? Garantiram alianças para consolidarem o seu poder? Aproveitaram as oportunidades dadas pelo Marquês de Pombal para se afirmarem económica e socialmente? Nesta luta entre poder local e central porque lado afinaram os seus jogos de interesse? Enfim, como se movimentaram nesta conjuntura de intervencionismo, nesta tentativa de planeamento económico, que como veremos, irá tomar um rumo algo contraditório, pois reduzindo os entraves camarários, elas acabaram por ser um prenúncio do liberalismo económico insular.
Os mercadores açorianos e suas relações com o poder central no final de Antigo Regime
Sobre
Talvez você seja redirecionado para outro site