Francisco Eduardo Andrade Universidade Federal de Minas Gerais As oportunidades políticas e económicas promovidas por capelanias na fronteira das Minas Gerais eram disputadas pelos senhores, como se depreende da conturbada história da criação da freguesia de São Bento do Tamanduá, focalizada neste trabalho. A capela resultou do enraizamento de interesses económicos de um grupo de parentes e aliados das Minas Gerais no sertão do oeste, rota para Goiás. Foi seu pároco encomendado Gaspar Godim, fazendeiro e minerador, cujo irmão foi um dos principais interessados no negócio da rota. Desde a ocupação sertanista, os aliados de Godim opuseram-se fortemente a qualquer perda de primazia sustentada por sua capelania. A luta mais significativa, porque esclarece a dinâmica política do tenso campo religioso do período (2.ª metade do século XVIII), foi contra o padre Carlos Correia de Toledo, vigário colado (instituição régia) da vila de São José, e que perdurou até sua prisão como inconfidente em 1789. Instituição de poder no meio colonial, inculcando sujeição e civilidade, a capela também funcionou como a primeira instância para confronto dos poderosos.
Poder e capelania na fronteira das Minas Gerais – o sertão do Oeste
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