Era dia de o pai vir buscar. Ela não gostava. Se olhavam num vazio dos que não têm intimidade. Boiavam no vácuo da falta de assunto.
Aquele dia era especial. Tinha visita, almoço grande. Vieram dois carros repletos de pessoas odiáveis, barulhentas e felizes. Eles gostavam dela. Ela é que não suportava eles. Por quê? Talvez porque os olhasse com os olhos da mãe. A mãe, sim, a grande rival dos parentes do pai. Talvez porque eles tivessem o que ela queria e não conseguia ter: o pai.
Era com eles que o pai morava, brincava, jogava conversa fora. Era lá que ele chegava. Aqui o pai não chegava, nunca chegava. Quantas vezes ela ficou na janela esperando, ele nunca chegava. Quando vinha era para brigar. E partia antes, muito antes da saudade da menina estar saciada.
O pai legal, querido, aqueles ali roubaram dela. O que era uma covardia. Eles já tinham tudo. Tinham a família completa. Se família fosse álbum de figurinhas, o da menina ia ser um fiasco. Cheia de buracos. Na triste configuração de uma mãe e uma tia, seu álbum era uma vergonha para qualquer colecionador.
Aquele dia era especial. Tinha visita, almoço grande. Vieram dois carros repletos de pessoas odiáveis, barulhentas e felizes. Eles gostavam dela. Ela é que não suportava eles. Por quê? Talvez porque os olhasse com os olhos da mãe. A mãe, sim, a grande rival dos parentes do pai. Talvez porque eles tivessem o que ela queria e não conseguia ter: o pai.
Era com eles que o pai morava, brincava, jogava conversa fora. Era lá que ele chegava. Aqui o pai não chegava, nunca chegava. Quantas vezes ela ficou na janela esperando, ele nunca chegava. Quando vinha era para brigar. E partia antes, muito antes da saudade da menina estar saciada.
O pai legal, querido, aqueles ali roubaram dela. O que era uma covardia. Eles já tinham tudo. Tinham a família completa. Se família fosse álbum de figurinhas, o da menina ia ser um fiasco. Cheia de buracos. Na triste configuração de uma mãe e uma tia, seu álbum era uma vergonha para qualquer colecionador.