We love eBooks

    Put some farofa

    Por Gregorio Duvivier
    Existem 14 citações disponíveis para Put some farofa

    Sobre

    Reunião de crônicas, esquetes e textos inéditos revela o gênio múltiplo e inesgotável de Gregorio Duvivier, idealizador, roteirista e ator do canal Porta dos Fundos.


    Don?t repair the mess. The house is yours. I make question. Pardon anything. Go with god. Come back always. Publicada em julho de 2014, a crônica que dá título a este volume, que cria uma conversa imaginária entre um brasileiro e um gringo visitando o Brasil durante a Copa, rapidamente se tornou um viral de internet com mais de 230 mil compartilhamentos, até ser comentada em artigo do Washington Post.

    Trata-se de uma amostra da verve humorística - embebida de zeitgeist, crítica ferina e muito afeto - de Gregorio Duvivier, um dos autores mais inventivos e promissores do Brasil na atualidade. Reunindo o melhor de sua produção ficcional, Put some farofa traz textos publicados na Folha de S.Paulo e esquetes escritos para o canal Porta dos Fundos, além de alguns inéditos.

    Se Gregorio revela o raro dom da multiplicidade, tendo despontado no cenário cultural brasileiro ao mesmo tempo como ator, roteirista, comediante, cronista e poeta, também múltiplo é este volume, que transita entre ficções, memórias de infância, ensaios sobre artistas que o influenciaram, artigos de opinião, exercícios de estilo e experimentações sem fim. Os textos vão da pauta que está sendo debatida naquele dia no jornal ao completo nonsense; do lirismo ao humor escrachado; do íntimo ao universal.

    No conjunto, o que espanta no autor é o frescor, a coragem, e, sobretudo, a capacidade inesgotável de se renovar a cada semana, contando sempre com a inteligência e a sensibilidade do leitor.


    ?Nem todo bom humorista é um bom cômico, nem todo bom comediante é um bom ator e nem todo bom roteirista é um bom cronista. O Gregorio Duvivier é tudo isso ao mesmo tempo e vice-versa. É econômico: você paga por um Duvivier e leva seis.? - Luis Fernando Verissimo

    Baixar eBook Link atualizado em 2017
    Talvez você seja redirecionado para outro site

    Definido como

    Citações de Put some farofa

    Mas aprendi que as brigas de casal pertencem ao universo quântico. Duas pessoas falando coisas opostas podem estar igualmente certas — e frequentemente estão.

    O que entendi é que é melhor desistir de entender. O roteirista da vida é preguiçosíssimo. Personagens queridos somem do nada. Personagens chatíssimos duram pra sempre. A gente vê episódios inteiros de pura encheção de linguiça e, de repente, tudo o que deveria ter acontecido numa temporada inteira acontece num dia só. As coincidências não são críveis — e são numerosas demais. A vida é inverossímil.

    A busca pela novidade escraviza. O apego ao passado não é uma prisão: a pior escravidão é a necessidade de frescor. A felicidade pode estar, sim, na repetição do passado, na encenação da memória, nas nossas velhas falhas de sempre. Não há nada de errado com tudo o que a gente tem de errado. Os Stones sabem disso. Os Python também. Lucky bastards.

    “A parte interessante de ficar velho é que você não precisa mais fingir que se interessa pelas novidades e pode ser feliz apenas relembrando os bons momentos”.

    O.k., você pode ser detestável. Mas o direito de ser detestável não te obriga a sê-lo. Abrir mão do direito de ser detestável: nada mais adorável.

    “O pessimista é um sujeito que acerta duas vezes: quando acerta e quando erra.”

    Tinham que ensinar na escola: 1. Nem toda mulher está oferecendo o corpo. 2. As que estão não são pessoas piores.

    O homem de 2003 vai à padaria e pede um cafezinho. A caixa de 2014 estende a máquina do cartão: débito ou crédito? O homem de 2003 não sabe o que responder. Não faziam essa pergunta em 2003. O homem de 2003 estende uma moeda de cinquenta centavos. A caixa explica: “Custa sete reais”. “O cafezinho?” “É Nespresso”, ela responde. “É o quê?” O homem de 2003 desiste. “Chegando em casa eu passo um café (o homem de 2003 ainda fala ‘passar um café’).”

    Calma, Cláudio. Eu te amo do jeito que você é. Só queria que você fosse um pouco mais parecido comigo. Eu sei que você é você e eu sou eu. Mas eu preferia que você fosse um pouco mais eu e menos você. Seria mais fácil pra mim. Já tô acostumada a lidar comigo. Quase não brigo comigo mesma. Quando brigo, esqueço rápido. Eu me perdoo com muita facilidade, Cláudio.

    O roteirista da vida é preguiçosíssimo. Personagens queridos somem do nada. Personagens chatíssimos duram pra sempre. A gente vê episódios inteiros de pura encheção de linguiça e, de repente, tudo o que deveria ter acontecido numa temporada inteira acontece num dia só. As coincidências não são críveis — e são numerosas demais. A vida é inverossímil.

    cheios de afeto e ser-humanidade

    eu digo religião, eu tô falando das religiões que envolvem Jesus. Não, não tô falando do Inri Cristo. Gente, eu tô falando sério. Quando eu digo religião, eu tô falando das religiões que envolvem Jesus, Maria, José, as que têm multidões de fiéis. Tem que rir das religiões menores, as religiões de preto, de judeu.

    Obrigado, Senhor, obrigado por me ajudar mesmo que eu seja ateu. O

    O ovo NOVEMBRO DE 2013                       “Carlos acordou e fritou um ovo.” — Anônimo   “N’aquele outomno de 1875, Carlos abriu as pálpebras esguedelhadas — tinha acordado macilento. Trazia-lhe tranquillidade contar as dezoito velas do lustre de ouro, presenteado pelo tio Affonso havia trinta e dois anos. ‘Somente para dar-me esse lustre serviu o tio Affonso’, pensou. Levantou-se da cama com uma fadiga langorosa, arrastando consigo os lençóis de seda indiana e esticou-se num fato de xadrezinho inglês. Cobriu-se com um cache-nez de seda clara e abriu um telegramma, indolente e poseur, em frente ao espelho de Veneza — resvalava, através das árvores, uma luz esverdinhada. Ordenou à criada: — Frite-me ovos.” — Eça de Queiroz   “Carlos acordou com uma súbita vontade de fritar um ovo, hei de fritar um ovo, pensou, agora mesmo, posto que se não fritá-lo, não poderei comê-lo frito, e terei de me contentar com ele cru, o que não seria do meu agrado. Tendo pensado nisso, fritou o ovo, e não está ruim, pensou, o ovo, frito.” — José Saramago   “Acordei libertado da angústia de não estar acordado. Não estar acordado é enorme: viver é isso. Fritei um ovo.” — Clarice Lispector   “Sonado: Carlos abriu o olho. Bisbilhava-se. A galinha desovou um ovo, disse Migué. — Larga de afoiteza, gritou tio Janjório. É muita ambicionice comer a galinha que ainda não galinhou. Carlos nem orelhou. Quando o tio viu, o ovo já não era.” — Guimarães Rosa   “Acordei ao lado de Vânia, que ainda dormia. Seus seios eram rosados e sua pentelheira era vasta e negra. Levantei e acendi um cigarro naquele fogão de bacana. Na cozinha, Branca me esperava, nua, com uma Magnum na mão, tapando-lhe a boceta. Eu disse alguma coisa e ela não gostou. Apontou a arma para os meus testículos. — Frita, Carlos. Seus ovos vão ser a porra do meu café da manhã. Alguém bateu na porta. Era Frida, nua. Fodemos.” — Rubem Fonseca   “Carlos acordou com a perna meia dor

    eBooks por Gregorio Duvivier

    Página do autor

    Relacionados com esse eBook

    Navegar por coleções