Com este aviso de precaução pregado à porta de suas emoções e com mãos que faziam força para não tremerem tanto, abriu o envelope. Retirou a folha de papel e leu-a, apressadamente, pulando palavras, procurando captar somente o essencial: sim ou não? Ao final dessa apressada leitura não concluiu nada; ora parecia sim, ora parecia não. Leu-a outra vez, mais devagar... Leu-a mais três vezes até entender que era ?sim?. Inútil tentar descrever as emoções que tomaram conta dele neste momento; digamos apenas que sua mente girou. Ele nunca pensou seriamente nisso, isto é, é verdade que sempre desejou isso e muitas vezes já tinha ficado a imaginar como reagiria, caso isso viesse a acontecer. Mas, agora era diferente, estava ali, tinha acontecido e ele não sabia o que estava sentindo... Automaticamente, levantou-se da cama, com a carta na mão, parecendo que ia se dirigir a alguém dentro do quarto, mas, com a mão a meio caminho e a palavra impronunciada na boca, deu-se conta de que estava sozinho... Quis rir e riu um riso pequeno; quis rir alto, não conseguiu... Era apenas um riso contido, assim como contido sempre fora o seu modo de vida. Sentou-se na beirada da cama e leu novamente a carta. Depois, seguindo um impulso, levantou-se, abriu a porta e descendo as escadas foi até a cozinha onde estava a senhoria. Ela sabia daquela mania de escrever que ele tinha.
Quem ouvirá minha alegria?
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