Razões da crítica
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vontade de falar ou de escrever depois do impacto de uma obra é uma forma natural de responder à experiência estética e, uma vez que o entendimento não é aí determinante, nossa imaginação vai atuar de modo mais livre e produtivo. Essa vontade originária de falar, de querer que o outro sinta como nós e compartilhe o nosso sentimento, que é tão própria à experiência estética, vai qualificá-la como o solo de nossa comunicabilidade.
Criticar é abrir-se ao outro e à diferença. Essa abertura nos habilita para o dissenso e para o espaço em comum.
É importante ter em mente que o juízo não é necessário se for para confirmar o que já se sabe e que já é a regra, mas sim para potencializar o ainda não conhecido, classificado, formado, dando sentido, ou melhor, procurando sentidos no que está em processo de constituição.
Toda recepção é uma forma de crítica. Ou seja, ela é simultaneamente especializada e não-especializada, uma não vive sem a outra.
Julgamos em nome do dissenso, e não do consenso. Julgar implica diferenciar, produzir diferenças.